O
REINO DIFERENTE
Morte
e Ressurreição de Jesus nos evangelhos e nos Exercícios
Inacianos
Este
foi o título e a matéria do curso de Capacitação
Permanente deste ano de 2005 de 29 de abril a 1º de maio, dado
pelo Pe. Ulpiano Vasquez Moro, SJ, professor de Teologia
do Instituto Santo Inácio, Centro de formação filosófica
e teológica da Companhia de Jesus no Brasil.
Apresento uma síntese dos meus apontamentos pessoais do curso,
completados com os apontamentos gentilmente cedidos pela Ir. Odette
Bechara, FJ.
R.
Paiva, SJ
7º
segmento
Quais são as características da contemplação
do Mistério Pascal
nos Exercícios Espirituais de Santo Inácio?
Uma maneira de percebê-las seria percorrer a escolha
dos mistérios a serem contemplados e observar os pontos destacados,
os pontos dados.
•
Constata-se que Inácio lê os 4 Evangelhos como uma concordância
que narra a Paixão. Ele procura um caminho linear, uma seqüência
doa acontecimentos, onde, em cada parada, destaca alguns fatos. Mas
isto levaria muito tempo, mais do que dispomos.
Então
vamos começar observando como Inácio “despoja”
Jesus dos seus títulos como “Rei Universal” e “Criador”,
pois Ele vai só e desarmado à Sua Paixão.
•
Inácio sugere sempre a mesma ordem na contemplação,
já anteriormente conhecida pelo exercitante: ver, ouvir e considerar
o que fazem as pessoas, “refletindo sobre mim mesmo para tirar
algum proveito” [194]. Na 3ª Semana, o que ele destaca
como característico e importante é observar o que Cristo
nosso Senhor “padece ou quer padecer na humanidade” [195].
•
Alguns textos trazem “na Sua humanidade”, mas Inácio
cortou o “sua” no texto chamado “autógrafo”,
isto é, corrigido por sua própria mão. Porque
o que Cristo padece, padece assumindo a humanidade de todos nós!
•
Em outras palavras: Inácio propõe levar a sério
o padecer. Tem em vista o “com-padecimento”,
“a com-paixão”.
•
Nosso compadecer com Cristo, nosso ir à Paixão com Ele
não é necessariamente algo espontâneo. Por isso
Inácio diz que é preciso “empenhar-se” para
que o padecer aconteça.
•
Há pessoas que podem achar um absurdo que Inácio provoque
a compaixão. Jesus mesmo, porém, se empenhou em conseguir
que seus amigos o acompanhassem na agonia do Horto, indo despertá-los.
Nós precisamos ser despertados para a compaixão.
Inácio
também observa como Jesus “poderia destruir seus
inimigos e não o faz” e “como a divindade parece que
se esconde e deixa sua sacratíssima humanidade sofrer tanta crueldade”
[196].
•
Isto é muito importante, pois nos ajuda viver cristãmente
neste mundo, onde o escondimento de Deus nos afasta d’Ele. É
uma pedra de tropeço, um motivo de escândalo para nós,
causando revolta na miséria e na dor que permanecem. O que
“passa”, então, é o amor de Deus.
•
Inácio nos leva a encarar este escândalo. Mal recebidos
na Samaria, os dois irmãos querem fogo do céu para arrasar
os mal educados. À violência queremos opor violência.
Como não temos violência que baste, queremos que Deus
onipotente venha e arrase!
Inácio
também insiste que Jesus padeceu “por meus pecados”
•
Nestes dois pontos, no escondimento da Divindade e na causa do padecimento,
“por meus pecados”, o que está em jogo é
o amor: por que, diante da miséria e da dor, o Onipotente parece
Impotente?
•
Mas seria divino um Onipotente que viesse e arrasasse?
•
O sofrimento, a violência e a dor não se vencem com mais
sofrimento,violência e dor, mas com a paciência.
•
A paciência não dá anestesia, mas dá sentido
ao sofrimento.
•
Adiante, Inácio traça um paralelo: “Como a Divindade
que parecia esconder-se (na Paixão) aparece agora
(na Ressurreição) por seus verdadeiros e santíssimos
efeitos”, isto é, pela consolação.
•
A consolação, apesar de todos os pesares, nos é
dada! Fé, Esperança, Amor, Paz, Alegria, Gozo são
a manifestação, a “fenomenologia” do Ressuscitado,
que exerce “o ofício de Consolador” [224].
Quando
fui orientador espiritual, costumava perguntar, se surpresa,
ao que vinha conversar comigo: “Quando você teve a última
consolação?”
Às
vezes a pessoa não sabia responder. Mas não estar
atento à nossa afetividade nos torna incapazes de espiritualidade,
da percepção das marcas e dos sinais do Ressuscitado.
Ora
a consolação, a marca do Ressuscitado é
o critério da verdade em nossa vida.
Evidentemente,
consolação não quer dizer “estar
numa boa”.
Mas
a tarefa de nossas vidas é procurar a consolação,
a presença de Jesus Cristo Ressuscitado.
A.
M. D. G.
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