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João, o discípulo amado Conta a história que o último dos Doze Apóstolos que morreu foi João, o filho de Zebedeu, irmão de Tiago e primo de Jesus. Sua mãe Salomé era irmã de Maria (Jo 19,25). Quando só ele restava dos doze, João, chamado de “o Ancião” era muito solicitado pelas comunidades cristãs para que falasse do Senhor Jesus. João sempre dizia as mesmas palavras: “Filhinhos, amai-vos uns aos outros...”. Como alguém se queixasse de que sempre repetia a mesma coisa, João justificou: “Isso é o mais importante que Jesus nos ensinou”. Lendo o quarto evangelho, que a tradição lhe atribui, compreendemos a insistência do evangelista no tema do amor fraterno. Nesse evangelho, várias vezes se fala do “discípulo que Jesus amava”. Trata-se de um discípulo que goza de intimidade especial com o Mestre (Jo 13,23-26) e a quem Jesus, ao morrer, confia a sua própria mãe (Jo 19,25-27). Em companhia de Pedro, constata o túmulo vazio do Ressuscitado (Jo 20,2-10) e, por primeiro, reconhece Jesus à beira do lago (21,7). Enfim, a conclusão do editor do quarto evangelho apresenta o discípulo amado como o autor que dá testemunho de tudo o que foi escrito naquele evangelho (Jo 21,20-24).
Os exegetas discutem se o quarto evangelho deve ser atribuído ao Apóstolo João ou a um outro discípulo do Senhor, a quem a tradição chama de “João, o Presbítero”. Duvida-se de que um pescador da Galiléia pudesse redigir o mais sublime dos quatro evangelhos. A Igreja oriental chama João de “o Teólogo”. João o Presbítero seria um membro da classe sacerdotal, com suficiente domínio da língua grega. Há que concordar que, por trás do quarto evangelho, há diversas figuras. Em primeiro lugar, “o discípulo que Jesus amava”, cujo testemunho foi guardado e transmitido pelos seus próprios discípulos (conhecemos os nomes de dois deles: Papias e Policarpo). Em segundo lugar, o escritor que recolheu por escrito o testemunho do discípulo. Finalmente, o editor ou redator final do evangelho, que diz, por exemplo, “nós sabemos que seu testemunho é verdadeiro” (Jo 21,24). Deixando aos exegetas o esclarecimento da questão da autoria do quarto evangelho, nós podemos tirar uma lição importante para nossa vida, como disse Bento XVI, em uma de suas Audiências Gerais: “o Senhor deseja fazer de cada um de nós um discípulo que vive uma amizade pessoal com Ele”. Para tanto, é necessário “viver com Ele e como Ele”, numa grande amizade, que gera uma confiança total. Como Jesus falou: “Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz seu amo; chamo-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai” (Jo 15,13.15).
Pe. Luis González-Quevedo, sj, |