São Pedro e a Igreja Romana


São Pedro (El Greco)

Fugindo de Roma, o Apóstolo Pedro teria encontrado Jesus, que se dirigia à Cidade Eterna. Quo vadis? (“Onde vais?”), perguntou Pedro. “A Roma, teria respondido o Senhor, para ser crucificado pela segunda vez, porque os meus discípulos me abandonam”. Envergonhado, Pedro regressou à cidade e morreu mártir, sob a perseguição de Nero.

Na obra de teatro Roma já não está em Roma, Gabriel Marcel apresenta um intelectual francês, contratado para lecionar literatura em um Colégio católico do Brasil. O diretor do Colégio é um padre que limita a liberdade do professor, colocando condições para o desenvolvimento do curso. O professor sente-se perseguido e injustiçado, mas não abandona a Igreja, antes descobre sua universalidade.

No final do drama, o protagonista de Roma já não está em Roma lembra-se da tragédia clássica, de Corneille, em que o general Sertório, na Espanha, se rebela contra o imperador romano. Sertório proclama que “Roma já não está em Roma”. Ele e os seus soldados, na periferia do Império, encarnariam a verdadeira Roma. Mas o general rebelde errava. Roma continuava estando em Roma. O professor do drama de Marcel pede aos seus amigos que não deixem a Igreja, mas fiquem nela, lutando para torná-la mais fiel à vontade do seu único Senhor, Jesus Cristo.

No século XVI, Martinho Lutero, visitou Roma e ficou escandalizado. A venda das “indulgências" foi a gota d’água que motivou a dolorosa divisão dos cristãos no Ocidente, que hoje desejaríamos superar, restaurando a unidade da Igreja de Cristo.

Os últimos Papas, de Pio IX a Bento XVI, foram homens exemplares, cuja honestidade e dedicação em favor da unidade, da justiça e da paz são reconhecidas por historiadores imparciais. No entanto, persistem ainda a divisão e a desconfiança entre as diversas Igrejas.

Mesmo entre católicos, há os que se sentem tentados de gritar: “Roma já não está em Roma!”. O seguimento de Jesus e a verdadeira “sucessão apostólica” já não estariam na Igreja de Roma, mas nas Igrejas do chamado “Terceiro Mundo” (Ásia, África e América Latina). Na Europa, Von Balthasar falava do “complexo anti-romano”, que leva alguns teólogos a receberem mal tudo o que vêm de Roma.

Nós, que não somos teólogos profissionais, mas meditamos a Palavra de Deus e seguimos a tradição da Igreja Católica, Apostólica, Romana, olhamos para o Papa como “princípio e fundamento da unidade” (Vaticano II, Lumen Gentium, 22) e rezamos por ele, para que o Senhor o sustente na sua missão de Bispo de Roma, sucessor do príncipe dos Apóstolos, São Pedro.


Crucifixão de São Pedro (Caravaggio)

Padre Luís González-Quevedo, sj
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