BENTO XVI E A MISSÃO DA IGREJA NO MUNDO

No “mês das missões”, perguntamo-nos como evangelizar o mundo atual, caracterizado pelo pluralismo religioso e pelo relativismo moral. Bento XVI nos responde com duas palavras: anúncio e diálogo.

O anúncio do Evangelho é missão permanente da Igreja. Todavia, hoje, não podemos impor a nossa fé àqueles que não conhecem Cristo ou não estão em plena comunhão com a Igreja católica. É preciso respeitar e dialogar com aqueles que não partilham nossa fé.
O Concílio Vaticano II aprovou uma Constituição pastoral sobre a Igreja no mundo de hoje, um Decreto sobre a atividade missionária da Igreja, um outro sobre o ecumenismo, uma Declaração sobre as relações da Igreja com as religiões não-cristãs, e outra sobre a liberdade religiosa. Ninguém deve ser obrigado a agir contra a própria consciência, nem impedido de praticar sua própria religião.

Joseph Ratzinger participou ativamente do Concílio Vaticano II e apoiou sua aplicação. Porém, há diversas interpretações da doutrina conciliar. Alguns confundem o ecumenismo com o sincretismo religioso, como se todas as religiões, igrejas e seitas fossem igualmente verdadeiras. Por isso, a Congregação para a Doutrina da Fé sentiu-se na obrigação de publicar um texto intitulado “Respostas a questões relativas a alguns aspectos da doutrina sobre a Igreja” (29 de junho de 2007).

Esse texto reafirma a doutrina do Vaticano II: Cristo fundou uma única Igreja, e esta subsiste na Igreja católica, governada pelo sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele. Fora da Igreja católica encontram-se elementos de santificação e verdade. Mesmo aqueles que, sem culpa ignoram o Evangelho de Cristo e Sua Igreja podem salvar-se, buscando a Deus de coração sincero e agindo retamente, conforme a sua consciência.

O documento da Congregação para a Doutrina da Fé foi mal recebido pela imprensa, que viu nele um exemplo de dogmatismo e de autoritarismo do Papa. Muitos católicos, conhecendo o texto apenas pela imprensa, lamentaram sua publicação.

Pode-se discutir a oportunidade de um documento da Santa Sé, mas quem “sentir com a Igreja” não pode deixar-se levar por opiniões contrárias à fé católica. É injusto acusar o Papa de “fundamentalista”, pelo fato de ter autorizado a publicação de um texto que reafirma a doutrina tradicional da Igreja católica.

Entre as luzes e as sombras deste mundo, a Igreja testemunha o amor de Deus para com todos os seres humanos, que nos foi revelado em Cristo. O Concílio Vaticano II afirmou: “Entre as perseguições do mundo e as consolações de Deus, a Igreja avança, peregrina, anunciando a cruz e a morte do Senhor, até que ele venha” (LG, 8).

Pe. Luis González-Quevedo, SJ
luisquevedosj@vilakostkaitaici.org.br