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BENTO XVI E A BÍBLIA
Bento XVI responde: “devemos ler e entender a Bíblia na sua unidade e integridade”. Os diversos livros são partes de um caminho. Não se deve interpretar um trecho bíblico, tirando-o do seu contexto e do conjunto dos livros bíblicos. Um exemplo clássico é a afirmação “Deus não existe!”, que o salmo 14(13) atribui ao insensato. Ou a piada daquele que, querendo encontrar a vontade de Deus sobre ele, abriu o Novo Testamento e encontrou: “Judas saiu e foi se enforcar” (Mt 27,5). Não gostando da idéia, tornou a abrir e leu: “Vai e faze tu a mesma coisa” (Lc 10,37). Ao ler um texto bíblico, devemos ter sempre presente a totalidade da Sagrada Escritura, onde uma parte explica a outra, um trecho do caminho explica o outro. Os próprios escritores sagrados reliam os textos antigos, esforçando-se por compreendê-los sempre melhor. A caminhada do povo de Israel nos deve conduzir até Jesus. No caminho de Emaús, o Senhor explicou aos discípulos tudo o que os profetas tinham falado a seu respeito. Só caminhando com Cristo podemos compreender a totalidade da Palavra de Deus. A Bíblia deve ser lida e interpretada na Igreja, à luz da fé. A liturgia e a “leitura orante” (Lectio divina) são o lugar privilegiado para a compreensão da Palavra de Deus. É na Igreja que a leitura da Bíblia se torna oração e se une à oração de Cristo, na Oração eucarística. O Papa escolheu como tema do próximo Sínodo dos Bispos, “A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja”. Ele espera que o encontro com a Palavra traga à Igreja uma nova primavera. O Sínodo, a realizar-se no próximo ano, deverá ajudar, também, ao diálogo ecumênico. A leitura da Palavra de Deus conduz os cristãos das diversas Igrejas a um encontro com Cristo e com os irmãos. A Palavra de Deus é sempre maior do que as nossas discussões e interpretações. “Santo Agostinho disse: da fonte bebe a lebre e bebe o burro. O burro bebe mais, mas cada um bebe segundo a sua capacidade. Quer sejamos lebres, quer sejamos burros, agradeçamos ao Senhor porque nos faz beber da sua água” (Bento XVI, Encontro com o clero de Roma, 22 de fevereiro deste ano). Pe.
Luis González-Quevedo, SJ |