BENTO XVI E O AMOR

O jovem Joseph Ratzinger (hoje, Bento XVI), apaixonou-se, alguma vez, como fazem os nossos jovens? Antes de entrar no Seminário, teve alguma namorada? Já como seminarista, duvidou alguma vez da sua vocação sacerdotal? sentiu as tentações comuns nos nossos seminaristas?

Na sua “autobiografia parcial (1927-1977)”, o atual Papa não responde tais perguntas. Mas, ao referir-se à sua época de estudante de Teologia, escreve: “A exigência do celibato não nos era coisa fácil, mas estávamos convictos de que podíamos confiar na experiência secular da Igreja e que a renúncia que ela nos impunha, e que atingia o mais íntimo da nossa alma, seria fecunda”. (Lembranças da minha vida. Paulinas, p. 66). Antes, tinha dito: ‘Nós, porém, como jovens não deixávamos de ser questionadores” (p. 51).


Bento XVI com crianças
da Baviera

Hoje, Bento XVI inicia sua Encíclica Deus charitas est com as palavras da Primeira Carta de São João: “Deus é amor: quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele” (1Jo 4,16). Depois distingue os diversos conceitos ou termos para designar o amor. Eros é o “amor ascendente”, ambicioso e possessivo, que busca, em primeiro lugar, o próprio bem; agape, pelo contrário, é o “amor descendente”, humilde e oblativo, que procura a felicidade da pessoa amada, antes do que a própria felicidade.

O Papa, porém, não separa completamente eros e agape, porque no ser humano espírito e matéria se compenetram mutuamente. Sem o agape (doação ao outro). o eros se degrada, reduzindo-se a mero prazer sexual (daí o sentido pejorativo da palavra “erotismo”). Mas ninguém pode viver se doando e se sacrificando pelos outros. Para dar amor, a gente precisa receber amor. Permita-me o leitor citar o que escrevi em outra ocasião: “Amamos, porque somos amados” (Projeto de vida: amar e ser amados. São Paulo: Edições Loyola, 2005, p. 75).

Em sua Mensagem por ocasião da Jornada Mundial da Juventude 2007, Bento XVI diz aos jovens: “Cada pessoa sente o desejo de amar e de ser amado. Contudo, quão difícil é amar, quantos erros e quantos fracassos no amor!”. Então, amar será uma utopia, um sonho inalcançável? O Papa diz: “Não! O amor é possível”. E exorta os jovens a descobrirem o verdadeiro amor, forte e fiel.

No dia 16 deste mês, Bento XVI completa 80 anos. Em maio, virá ao Brasil. E, em julho de 2008, encontrará jovens do mundo inteiro em Sydney (Austrália). Desde já, você pode participar na preparação deste grande Encontro Mundial da Juventude, acessando o site: www.wyd2008.org.

Artigo publicado na revista O Milite, abril 2007

Pe. Luis González-Quevedo, SJ
luisquevedosj@vilakostkaitaici.org.br