A JUVENTUDE DE BENTO XVI

No dia 16 de abril, o nosso Santo Padre, completará 80 anos. Dois anos atrás, ao ser eleito Papa, a imprensa de todo o mundo divulgou uma foto dele, quando adolescente. Com uniforme militar, o jovem Ratzinger mostrava um olhar pensativo, quase triste.

Não fosse o ambiente político-militar da Alemanha nazista, a juventude de Joseph Ratzinger teria transcorrido feliz. A família proporcionava-lhe segurança afetiva; destacava-se nos estudos mais do que no esporte, e a participação na vida da Igreja entusiasmava-o.


Joseph Ratzinger aos 16 anos (1943)

Na Alemanha de Hitler, o jovem Ratzinger era visto com desconfiança: “Esse aí é católico; vai muito à igreja... vai terminar sendo padre”. Joseph Ratzinger entrou no Seminário menor de Traunstein, em 1939, com apenas doze anos. Esse mesmo ano, iniciou-se a Guerra Mundial. O Seminário foi requisitado, servindo como hospital militar; os seminaristas e seus formadores foram acolhidos por um colégio feminino.

“Estando no Seminário – conta Ratzinger – tive de fazer parte das Juventudes Hitlerianas. Depois, quando ocuparam o Seminário, deixei-as e isso me causou muitos problemas”. Durante dois anos, Joseph Ratzinger foi obrigado a prestar serviço militar na guarnição antiaérea de Munique. Depois, foi destinado a um campo de trabalho, na Áustria, anexada pelo Terceiro Reich alemão. Finalmente, em 1945, a Alemanha rendeu-se aos Aliados. Ratzinger foi internado, junto com mais de 40.000 prisioneiros, em um campo de concentração.

Aos 18 anos, libertado do campo de concentração, o jovem Ratzinger retornou à casa dos seus pais: “Nunca na minha vida comi com tanto gosto como aquele jantar que a minha mãe me preparou com produtos da nossa horta”, conta em um dos seus livros.

Sessenta anos depois, em 2005, Bento XVI viajou a seu país, para participar da XX Jornada Mundial da Juventude, em Colônia (Alemanha). Era sua primeira viagem internacional como Papa. Um milhão de jovens de todo o mundo, inclusive do Brasil, o esperavam, nas margens do rio Danúbio. O Papa convidou-os a participar da vida da Igreja, formando comunidades baseadas na fé, a descobrir a riqueza da liturgia eucarística e a redescobrir o sacramento da Reconciliação, no qual a misericórdia de Deus nos permite recomeçar sempre a nossa vida.

Aos jovens, o velho Papa exortou a não fechar os olhos e o coração às necessidades dos mais pobres e sofredores. Ele próprio experimentou, na sua longa vida, que é muito mais belo ser generoso e colocar-se à disposição do próximo do que se preocupar unicamente das comodidades e prazeres que o mundo nos oferece.

Artigo publicado na revista O Milite, março 2007

Pe. Luis González-Quevedo, SJ
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