O PAPA BENTO XVI E A FAMÍLIA

No V Encontro Mundial das Famílias, realizado o ano passado em Valência (Espanha), o Papa Bento XVI afirmou: “A família, fundada no matrimônio indissolúvel entre um homem e uma mulher, é o âmbito no qual o ser humano pode nascer com dignidade, crescer e desenvolver-se de maneira integral”.

Ao defender, uma vez mais, a visão cristã da família, o Papa se baseia, não só na doutrina da Igreja Católica, como também na experiência humana da sua longa vida.

Joseph Ratzinger nasceu no dia 16 de Abril de 1927, em Marktl am Inn, perto do santuário mariano de Altötting, na Baviera (Sul da Alemanha). Aquele dia era Sábado Santo e, no dia seguinte, o pequeno Joseph foi batizado com a água benta na noite pascal. A vida do futuro Papa mergulhava assim, desde o início, no mistério da Páscoa.

O pai, chamado também Joseph Ratzinger, era comissário da polícia; provinha de uma família de agricultores, de modestas condições econômicas. A mãe, de nome Maria, era filha de artesãos do Tirol; quando solteira, trabalhara como cozinheira; depois de casar, dedicou-se inteiramente aos cuidados da família e do lar. O casal teve três filhos: Maria, nascida em 1921, George (1924), que também seria padre e excelente músico, e Joseph. Os pais levavam uma vida simples e austera, evitando despesas supérfluas, para que os filhos pudessem estudar.

Quando o pequeno Joseph tinha dois anos, a família mudou-se para Traunstein, uma pequena localidade perto da fronteira com a Áustria, a trinta quilômetros de Salzburgo, a cidade de Mozart. Até hoje, Bento XVI gosta de tocar, ao piano, a música de Mozart. Neste ambiente, o futuro Papa recebeu sua primeira formação cristã, humana e cultural.

Foram tempos difíceis, na Alemanha. Em 1933, Hitler chegou ao poder, liderando o partido nazista, hostil à Igreja Católica. Joseph Ratzinger, o pai, crítico do regime nazista, ajudava os sacerdotes que sabia estarem em perigo. O jovem Joseph viu os nazistas açoitarem o padre de sua paróquia.

Ao falar da família, o Papa Bento XVI lembra o amor dos seus pais. No encerramento do V Encontro Mundial das Famílias, disse: “A alegria amorosa com que os nossos pais nos acolheram e acompanharam nos primeiros passos, neste mundo, é como um sinal sacramental do amor de Deus, do qual procedemos”.

O Papa lembrou também o direito e o dever dos pais cristãos transmitirem aos filhos a sua fé: “A família cristã transmite a fé quando os pais ensinam os seus filhos a rezar e rezam com eles; quando os aproximam dos sacramentos e os vão introduzindo na vida da Igreja; quando todos se reúnem para ler a Bíblia, iluminando a vida familiar à luz da fé”.

Pe. Luis González-Quevedo, SJ
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