JOÃO PAULO II, O GRANDE


Ainda é cedo para fazer um juízo histórico do pontificado de João Paulo II, mas hoje sua memória se destaca acima de todos os Papas dos tempos modernos.

Karol Jósef Wojtyla nasceu no dia 18 de maio de 1920 em Wadowice, perto de Cracóvia e de Auschwitz (Polônia). Na juventude, conheceu a ditadura nazista e o comunismo ateu; participou de um grupo de teatro, trabalhou como operário e estudou teologia clandestinamente. Ordenado sacerdote, em 1946, doutorou-se em teologia, em Roma, com uma tese sobre “A fé em São João da Cruz”. Ensinou teologia moral na Universidade Católica de Lublin. Pio XII o nomeou bispo auxiliar de Cracóvia e Paulo VI, arcebispo e cardeal.

No segundo Conclave do ano 1978, após a inesperada morte de João Paulo I, os cardeais de língua alemã, liderados pelo arcebispo de Viena, F. Köning, apoiaram Karol Wojtyla, que foi eleito eleito Papa, no oitavo escrutínio. Escolheu o nome de João Paulo II, em homenagem a seu predecessor.

No seu longo pontificado, João Paulo II publicou 14 Encíclicas: 3 dedicadas às três pessoas da Ssma. Trindade (Redemptor hominis; Dives in misericordia e Dominum et vivificantem);outras três à questão social (Laborem exercens, Sollicitudo rei socialis e Centesimus annus). Outras tratam de temas doutrinais, filosóficos e morais (Veritatis splendor, Fides et ratio e Evangelium vitae), de Nossa Senhora (Redemptoris mater), das missões (Redemptoris missio), dos Apóstolos do mundo eslavo (Slavorum apostoli), do ecumenismo (Ut unum sint). e da Eucaristia (Ecclesia de eucharistia). Publicou ainda diversos livros de caráter autobiográficos: “Sinal de contradição”; “Dom e Mistério”; “Levantai-vos! Vamos!”; “Memória e identidade”.
Poliglota e grande comunicador, o Papa Wojtyla realizou mais de cem viagens internacionais; cativou os jovens, nas Jornadas Mundiais da Juventude, beatificou e canonizou um grande número de santos, entre os quais São Maximiliano Kolbe, defendeu a família, berço da vida humana, e condenou o aborto.

Politicamente, João Paulo II teve uma influência decisiva na queda dos governos comunistas do Leste europeu. E, num gesto sem precedentes, pediu publicamente perdão a Deus e aos irmãos pelas culpas históricas dos próprios membros da Igreja.

No dia 13 de maio de 1981, o turco Mehmet Ali Agca atentou contra a vida de João Paulo II. Esse crime e outros problemas de saúde foram minando sua resistência física, vindo a falecer, no dia 2 de abril do ano passado. Seus funerais reuniram o maior número de chefes de Estado da história. Excepcionalmente, sua causa de beatificação foi iniciada rapidamente, quase por clamor popular.

Pe. Luis González-Quevedo, SJ
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