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Paulo VI e a crise da Igreja pós-conciliar
Giovanni Battista Montini nasceu em uma família de classe média. Ordenado sacerdote (Brescia, 1920), estudou filosofia, letras e direito, e ingressou na Academia de Nobres Eclesiásticos, para seguir a carreira diplomática da Santa Sé. Foi também assistente nacional da FUCI (Federação dos Universitários Católicos). Pio XII o nomeou substituto da Secretaria de Estado e, mais tarde, Arcebispo de Milão (1954). Seu prestígio era tal que teve votos para Papa, no Conclave de 1958, mesmo não estando presente, por não ser ainda cardeal. No Conclave seguinte, era o grande favorito e foi eleito Papa (1963). A
primeira missão de Paulo VI foi dar continuidade e terminar
o Concílio Vaticano II. No discurso de abertura da segunda sessão
conciliar, expôs os objetivos do Concílio: o aprofundamento
da natureza e da missão da Igreja, a renovação do
catolicismo, a unidade entre os cristãos e o diálogo com
o mundo contemporâneo. Em 1965, falou diante da Assembléia
Geral da ONU das suas grandes preocupações: a paz, os direitos
humanos, a liberdade religiosa. A crise da Igreja pós-conciliar foi maior do que a “crise modernista” do início do século XX. Pio X tinha condenado o “modernismo”. Paulo VI evitou as condenações, mas reafirmou a fé, a moral e a disciplina da Igreja Católica, melhorando suas estruturas: reformou a Cúria Romana, inaugurou o Sínodo dos Bispos, criou a Comissão Justiça e Paz e o Conselho dos Leigos, fixou limite de idade (75 anos) para o governo das dioceses, etc. As Encíclicas de Paulo VI foram criticadas por muitos. O mundo capitalista rejeitou a Populorum Progressio, sobre o desenvolvimento dos povos; o clero progressista não gostou da Sacerdotalis coelibatus, que manteve o celibato sacerdotal, na Igreja latina; e a Humanae Vitae, ao reafirmar a doutrina tradicional da Igreja sobre a regulação dos nascimentos, decepcionou a opinião pública, que esperava a aprovação da pílula anticoncepcional. O pontificado de Paulo VI esteve marcado pelo sofrimento. O Papa Montini não tinha a simpatia e o bom humor de João XXIII, nem a energia e a capacidade de comunicação de João Paulo II, mas talvez nenhum outro Papa compreendeu e sofreu como ele os problemas do nosso tempo. Pe.
Luis González-Quevedo, SJ |