|
BENTO XV: O PAPA DA PAZ
Giacomo Della Chiesa (Bento XV), era um homem muito diferente de Giuseppe Sarto (Pio X). O Papa Sarto, de família humilde, tinha bela aparência. O Papa Della Chiesa, de família nobre, era de aspecto físico pouco atrativo: baixinho e muito magro, tinha os ombros caídos, um dos olhos era mais alto que o outro e ainda mancava um pouco. Terá influenciado essa deficiência física no fato de Bento XV ter sido um Papa menos popular do que Pio X? Bento XV teve uma boa formação teológica, jurídica e diplomática. Estudou na “Academia de Nobres Eclesiásticos”, hoje, Pontifícia Academia Eclesiástica, onde se formam os diplomatas da Santa Sé. Trabalhou com o cardeal Rampolla, o preterido no conclave que elegeu Pio X. No conclave seguinte, a Primeira Guerra Mundial acabava de estourar. O novo Papa precisava ter capacidade diplomática. O cardeal Della Chiesa era a pessoa mais indicada, para assumir tamanha responsabilidade. O pontificado de Bento XV foi breve (setembro de 1914 a janeiro de 1922), mas muito intenso. Por força das circunstâncias, o novo Papa teve que ocupar-se, continuamente, da maior guerra que o mundo tinha conhecido até então. Desde o começo, Bento XV fez numerosos apelos aos responsáveis das potências envolvidas no conflito; condenou a guerra, e empenhou todas suas forças em aliviar o sofrimento dos feridos, dos prisioneiros de guerra e do povo dos territórios devastados pela guerra. O Papa denunciou as causas ideológicas da guerra: a rivalidade entre as grandes potências, os nacionalismos, as ambições econômicas e militares. Itália, inicialmente neutral, inclinou-se do lado dos aliados (França e Inglaterra), contra os Impérios da Europa central (Alemanha e Áustria-Hungria). Os Estados Unidos também entraram na guerra, contra a Alemanha. O Papa Bento XV manteve uma perfeita imparcialidade, fazendo propostas concretas às potências beligerantes. Infelizmente, sua voz não foi escutada. Porém, em outros campos, Bento XV obteve mais sucesso: melhorou o relacionamento da Igreja com o Estado italiano, favorecendo a participação dos católicos italianos na política; reduziu a polêmica entre os “modernistas” e os “integristas”; alentou o diálogo ecumênico, sobretudo com as Igrejas Orientais; fundou o Pontifício Instituto Oriental, de Roma; promulgou o Código de Direito Canônico; impulsionou as missões; valorizou o clero indígena. Bento XV acrescentou às ladainhas de Nossa Senhora, que se rezam no final do Santo Rosário, a invocação Regina pacis (“Rainha da paz”). Ao morrer, ofereceu sua vida em favor de uma paz justa e duradoura. Sua definição da guerra como “um massacre inútil” continua sendo atual, nos dias de hoje, em que buscamos uma cultura de paz. Pe.
Luis González-Quevedo, SJ |