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SÃO
PIO X: O ATRATIVO DA SANTIDADE
Em 1903, o conclave que elegeu Pio X foi tenso. Nas primeiras votações, parecia que seria eleito o cardeal Rampolla. Mas o governo da Áustria vetou o nome desse cardeal, que era Secretário de Estado de Leão XIII. As atenções dos cardeais eleitores voltaram-se, então, para o cardeal Giuseppe Sarto, patriarca de Veneza. Um cardeal francês objetou que Sarto não sabia falar francês. Em contraste com o culto Leão XIII, o futuro Pio X era um homem de condição modesta. Seu pai tinha sido carteiro e sua mãe, costureira. Estudante pobre, Giuseppe Sarto chegou a ir à escola descalço, para não gastar os sapatos. No entanto, o patriarca de Veneza era um homem piedoso e santo. Chegou ao conclave humildemente, com passagem de ida e volta. E não regressou mais a Veneza, porque foi eleito Papa. Uma de suas primeiras decisões foi pedir que o povo não o aplaudisse na Basílica de São Pedro, porque “não é conveniente que o servo seja aplaudido, na casa do Senhor”. O pontificado de Pio X (1903-1914) foi mais voltado para a vida interna da Igreja do que para os problemas políticos e sociais. Pio X empreendeu algumas obras importantes: criou o Instituto Bíblico de Roma, reformou a Cúria romana e iniciou os trabalhos de codificação do Direito Canônico, combateu a ignorância religiosa, publicando um Catecismo Católico, renovou a liturgia e a música sacra, etc. Quando nos preparamos para celebrar o Congresso Eucarístico Nacional, de 18 a 21 de maio, em Florianópolis, lembramos que Pio X se destacou pelo incentivo à comunhão freqüente. Basta que a criança distinga o pão eucarístico do pão normal, para poder fazer a Primeira comunhão. Os católicos adultos podem comungar com apenas dois requisitos: estar em estado de graça e ter reta intenção. A comunhão não é um prêmio para os puros, mas um alimento eficaz, para fortalecer os fracos. Não faltaram dificuldades ao Papa Pio X. Enfrentou os teólogos “modernistas”, que defendiam idéias consideradas, na época, avançadas ou “progressistas”. Em defesa da fé tradicional, foi determinado que os professores dos Seminários católicos fizessem um “juramento anti-modernista”, no início do ano letivo. Hoje, os historiadores chamam São Pio X de “Papa conservador”. O povo católico, porém, o venera, não por sua luta anti-modernista, mas por ter sido um “Papa santo”. A santidade não passa nunca de moda. Ela é sempre atual. O ano passado, nos funerais do Papa João Paulo II, a multidão gritava: Santo subito (“Santo, já”). Pio X foi canonizado por Pio XII, em 1954. Sua festa se celebra no dia 21 de agosto. Pe.
Luis González-Quevedo, SJ |