MARIA, MULHER IDEAL
       

Maria, virgem e mãe, ocupa um lugar único na História da Salvação e na espiritualidade cristã. Protótipo da Igreja, sua fé é modelo para todos os cristãos, homens e mulheres. Todavia, sua condição feminina torna-a, de modo particular, figura exemplar de mulher.

O feminismo desconfia que a sublimação da figura de Maria, contribua para a tradicional discriminação da mulher. Ela reforçaria um modelo de mulher passiva, meiga e alienada nas dimensões seculares da vida humana: a política, a economia, o trabalho profissional, a liberdade pessoal e a realização sexual. A imagem idealizada de Maria seria tão singular e cheia de privilégios que se afastaria da condição natural da mulher.

Certamente, a inserção de Maria nas circunstâncias sócio-culturais do seu tempo impediram-na de ter uma liderança político-social, que aliás poucas pessoas conseguem exercer. No entanto, Maria, exemplar único e excepcional de mulher, continua sendo um modelo de feminilidade cristã. Nela encontramos as atitudes femininas mais preciosas e as virtudes mais universais:

1) A , como abertura amorosa para o Outro. É próprio da mulher que ama de verdade confiar totalmente no amado e entregar-se a ele com todo o seu ser (cf. Lc 1,38).

2) A disponibilidade para a novidade da vida, para servir e para amar ao próximo (cf. Lc 1,39).

3) A humildade, que reconhece a sua radical pobreza e nela se alegra, porque lhe permite depender inteiramente do Outro (cf. Lc 1,46-47).

4) A castidade, que liberta a mulher da luxúria, abrindo-a para as verdadeiras alegrias da vida, na plena realização de sua vocação ao amor e à maternidade (cf. Lc 1,32).

5) A caridade, que intui e sai ao encontro das necessidades alheias; a delicada atenção aos pequenos detalhes, dos quais dependem, muitas vezes, a felicidade humana (cf. Jo 2,3).

6) A fortaleza moral, que sustenta a esperança nas horas de dor. Maria foi uma mulher forte, que conheceu de perto a pobreza e o sofrimento, a fuga e o exílio, e que suportou em pé a morte do seu Filho na cruz. (Lc 2,7; Mt 2,14; Jo 19,25).

7) A comunhão, que conserva unida a família e a comunidade. É próprio da mulher, como esposa e mãe, como amiga e companheira, gerar vida, criar laços, ser centro de comunhão entre as pessoas” (At 1,14).

Assim foi Maria, a mãe de Jesus. Assim a podemos contemplar, a partir dos dados da Escritura e da tradição Uma mulher extraordinária, na simplicidade da vida cotidiana do seu tempo. Uma mulher inteira, íntegra, livre e libertadora.

 

[Luis González-Quevedo, SJ, extraído da
revista Itaici, n. 43 (março 2001), 49-50].

Pe. Luis González-Quevedo, SJ
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