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EUCARISTIA
E NOVA EVANGELIZAÇÃO
Neste mês de outubro, em Roma, bispos de todo o mundo, reunidos com o papa, participam da XI Assembléia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos. O tema é "a eucaristia: fonte e ápice da vida e da missão da Igreja".
Sínodo (do grego Syn-hodos) significa "caminho" (hodos), feito "em comum" (syn, com). Neste sentido, sempre que celebramos juntos a eucaristia, participamos de um pequeno sínodo. Um cristão sozinho não é cristão, porque a vida cristã é sempre um caminhar juntos, formando comunidade. Na Igreja, cada vez que participamos da eucaristia, recebemos a fé dos outros e partilhamos a nossa fé. Como diz São Paulo: "eu recebi do Senhor o que também vos transmiti.." (1 Cor 11,23). Paulo VI dizia, na Constituição apostólica Evangelii nuntiandi (EN): "A missão essencial da Igreja é evangelizar toda a humanidade. (...) A Igreja existe para evangelizar, ou seja, para pregar e ensinar, para reconciliar os pecadores com Deus (...) e para perpetuar o sacrifício de Cristo na Santa Missa, que é o memorial da sua Morte e gloriosa Ressurreição" (EN, 14 e 15). João Paulo II falou da necessidade de uma "Nova Evangelização", para anunciar Jesus Cristo a todos, incluindo os batizados que não vivem a sua fé cristã.. Na Igreja, todos somos evangelizadores que precisam ainda ser evangelizados. Hoje, os jovens e os adultos mais críticos contestam as antigas formas de viver a fé cristã. Os pais e as mães, os catequistas e professores de ensino religioso, nas escolas católicas, sentem-se, muitas vezes, incapazes de transmitirem aos seus filhos e alunos a fé. Precisamos encontrar novas formas de viver e de celebrar a beleza da vida cristã. Na Encíclica Redemptoris Missio (RM), João Paulo II reafirma a urgência do mandato missionário de Jesus: "Ide fazer discípulos entre todas as nações e batizai-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-lhes a observar tudo o que vos tenho ordenado. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos" (Mt 28,16-20). Aceitando o desafio da evangelização do mundo, missionários e missionárias deixaram as comodidades e prazeres da vida, para se doarem ao Senhor, no serviço dos irmãos, especialmente dos mais pobres. Alguns, dos países mais ricos, vieram ao Brasil. Outros partiram do Brasil para países mais pobres. No entanto, não é necessário sair do próprio país para ser missionário ou missionária. A Milícia da Imaculada é prova disso. Você pode colaborar na tarefa de evangelizar o mundo, na sua família, na sua escola, no seu emprego, na sua comunidade. "A primeira forma de testemunho é a própria vida do missionário, da família cristã e da comunidade eclesial, que torna visível um novo modo de se comportar" (RM, 42). "A Igreja é chamada a dar o seu testemunho, assumindo posições corajosas e proféticas, em face da corrupção do poder político ou econômico, não correndo ela própria atrás da glória e dos bens materiais, usando seus bens para o serviço dos mais pobres e imitando a simplicidade de vida de Cristo" (RM, 24). No Brasil dos nossos dias, como são atuais estas palavras de João Paulo II!
Por último, é necessária a vida sacramental. Sem alimentar a fé e purificar a consciência, por meio dos sacramentos, a pregação corre o risco de ficar vazia ou superficial, assim como a prática sacramental, sem uma fé esclarecida, pode cair na rotina e na passividade. Palavra e sacramentos se complementam. No final de um encontro ou retiro espiritual, surge a pergunta: "como conservar e pôr em prática os bons propósitos?". Costumamos responder: "participe ativamente da vida da Igreja, na sua comunidade". A eucaristia, bem preparada, celebrada e participada, é o meio privilegiado de perseverar e crescer na vida cristã. Que
o Sínodo dos Bispos, a celebrar-se em Roma, nestes dias, nos
ajude a viver com mais autenticidade a eucaristia e nos anime a colaborar,
com novo ardor missionário, na evangelização do mundo. Pe.
Luís González Quevedo, SJ |