Oração em família

A maioria de nós aprende a rezar no aconchego da família. O respeito que nosso pai tinha por Deus e a devoção de nossa mãe ensinaram-nos ainda mais do que as aulas de catecismo ou de teologia.

Talvez alguns de nós reclamavam, quando crianças, por termos que rezar o terço no fim do dia, ou sermos obrigados a ir à missa no domingo. Mas, hoje, que saudade do pai, puxando o terço, ou da mãe nos apressando, para que não chegássemos atrasados à missa!

A presença dos nossos pais ensinou-nos que a vida nos foi dada, com muito amor, pelo Pai que está nos céus. No dia em que perdemos os nossos pais, sentimos que a nossa infância acabou e que não viveremos nesta terra para sempre. A morte dos pais revela aos filhos que existe uma outra vida, onde eles já chegaram.

Um movimento de espiritualidade conjugal, as equipes de Nossa Senhora, pede aos seus membros que façam a "oração em família". Não é fácil, nos dias de hoje, encontrar tempo e disposição para rezar juntos, mas vale a pena. "A família que reza unida, permanece unida", dizia uma campanha.

Pelo menos, que o casal não durma sem ter rezado o Pai Nosso, de mãos dadas, e sem ter abençoado os seus filhos com um beijo carinhoso. Que, antes das refeições, agradeçam todos a Deus o pão de cada dia. E que, ao programar o fim de semana, reservem sempre um tempo para participar da santa missa ou da celebração da Palavra.
E quando os filhos crescem e esquecem de rezar e de ir à missa? Mesmo então, que nunca lhes falte o bom exemplo, o convite carinhoso e o amor incondicional dos pais.

É natural que as novas gerações tenham idéias e gostos diferentes dos que tinham seus pais. Que os jovens tenham espaço, na família, para expressar sua fé conforme o seu gosto. O terço pode ser substituído por um canto a Maria, uma leitura bíblica, seguida de uma breve partilha, preces espontâneas, o Pai Nosso e o abraço da paz.

Que as paróquias e as comunidades cristãs programem atividades para as crianças e para os jovens. Que todos se sintam acolhidos pelos responsáveis da comunidade.

Em todo caso, nada poderá substituir o exemplo de fé e de amor dos pais.

Pe. Luís González Quevedo, SJ
luisquevedosj@vilakostkaitaici.org.br
[Artigo publicado na revista "O Mílite", julho 2004]