JUVENTUDE E EUCARISTIA

Cláudia, 21 anos, é uma moça paranaense que mora em Indaiatuba, SP. De família católica, esteve um tempo afastada da prática religiosa, mas voltou a freqüentar as missas e a participar de uma comunidade de jovens. Foi a morte do papa João Paulo II e a mensagem que ele deixou aos jovens o que a animou a retornar à Igreja. "Ele sempre gostou de nós", disse-me, emocionada.

Porque Jesus ama os jovens, o papa - Vigário de Cristo na terra - não pode deixar de querer bem a juventude, "futuro e esperança da Igreja e da humanidade"(Bento XVI). Paulo VI o tinha dito "Nós gostamos da juventude. Digam-no aos seus amigos e colegas: o papa ama os jovens".

João Paulo II foi o papa que melhor se comunicou com os jovens: "Eu fui até eles, disse no fim de sua vida, e eles vieram a mim". A Jornada Mundial da Juventude (JMJ), instituída por ele, mobilizou milhões de jovens do mundo inteiro. Começou em Roma, no Domingo de Ramos de 1986.

No presente ano, a 20ª JMJ acontecerá em Colônia (Alemanha), de 16 a 21 de agosto, e tratará do tema "A Eucaristia: fonte e ápice da vida e da missão da Igreja. Bento XVI estará presente, dando continuidade ao programa do seu antecessor. Embora um pouco mais tímido, ele prometeu continuar a dialogar com os jovens, escutando as suas expectativas e tentando ajudá-los a encontrar o Cristo vivo.

Os papas e a Igreja amam os jovens, mas os jovens amam a Igreja? Um sinal claro de amor é a presença. Quem ama gosta de estar perto daquilo que ama. Os jovens estão presentes na Igreja? Freqüentam as suas celebrações? Participam das suas atividades? Com freqüência, ouço de pais e mães de família: "meus filhos não querem ir à missa".

Inês Broshuis responde à pergunta: "Por que os jovens não gostam de ir à missa?" (Jornal de Opinião, 11 a 17 abril 2005). Às vezes, faltou uma boa catequese. Se o grupo de amigos achar que a missa é coisa de velhos e beatos, o jovem seguirá a opinião do grupo. Acontece ainda que, em muitas comunidades, faltam líderes que saibam falar aos jovens. Já dizia Paulo VI: "muitos falam dos jovens, poucos falam aos jovens". O que o padre fala, na missa dominical, não atinge a vida e as preocupações da juventude atual.

"Os pais devem ter paciência, respeitando a fase de amadurecimento em que seu filho ou sua filha está", escreve Inês. Hoje, a cultura dominante oferece aos jovens programas e modelos mais atraentes. Mas há algo que nem a discoteca nem o computador podem dar aos jovens: o amor. Que os pais não se cansem de amar os seus filhos, porque o verdadeiro amor é paciente: "tudo crê, tudo espera, tudo suporta" (1Cor 13,7).

Que os pais dêem exemplo, participando da missa e vivendo, com autenticidade, o amor cristão. "O jovem gosta de coerência - diz a jovem Giselle -. Há jovens que buscam o que é certo nos caminhos errados, mas no fundo estão querendo respostas coerentes. Acho que os que descobrem logo a plenitude das respostas, na presença transformante de Jesus Eucarístico, não são melhores do que aqueles que ainda não a descobriram. Uns são agraciados, porque se abriram à graça. Os outros também querem se abrir à graça (quem é que não quer viver cheio de graça?), mas ainda não descobriram o caminho para isso".

Em questão de fé, todos somos pobres, peregrinos, viajantes. Para os cristãos, a eucaristia é "viático", alimento para não desfalecer na estrada. Os jovens, de maneira particular, precisam deste sacramento, que sustente sua fé e seu entusiasmo, nessa etapa da vida, tão decisiva quanto transitória.

Na sua transitoriedade, a juventude tem o encanto da primavera, a beleza da flor, a promessa da semente, a esperança de um mundo mais justo e mais humano. Os jovens são mais sensíveis que os adultos; seus sentidos estão sempre abertos à novidade, em matéria de cultura, música, costumes e modas.

Dizia o cardeal Ratzinger, hoje Bento XVI, que "o homem religioso é o homem ferido pelo desejo de beleza". Os jovens começam a apreciar as missas, quando atraídos pela beleza das celebrações, dos cantos ou das homilias que tocam seus corações. Mas precisam descobrir ainda uma beleza mais profunda, a beleza escondida no mistério eucarístico.

Ah, como gostaríamos que os jovens fizessem a experiência de Deus ("Beleza sempre antiga e sempre nova"), que encontrassem Jesus ("o eternamente jovem"), que orientassem suas antenas na direção dos valores positivos, das causas nobres, do verdadeiro amor!

Felizes os jovens que, na primavera da vida, fizeram já a experiência do encontro vivo com Jesus Cristo, presente na sua Palavra, na Igreja, na eucaristia, no pobre e na vida agitada dos nossos dias!

Pe. Luís González Quevedo, SJ
luisquevedosj@vilakostkaitaici.org.br
[Artigo publicado na revista "O Mílite", agosto 2005]