Paulo: apóstolo de Jesus Cristo

De 28 de junho deste ano a 29 de junho de 2009, Bento XVI declarou um ano jubilar dedicado a São Paulo, por ocasião dos 2000 anos de nascimento do Apóstolo.

Judeu fervoroso, Saulo de Tarso perseguia os cristãos, até o dia em que, no caminho de Damasco, uma luz vinda do céu o derrubou na estrada. A voz disse-lhe: “Saulo, Saulo, por que me persegues?”. Caído na estrada, Saulo perguntou: “Quem és tu, Senhor?”. O Senhor se identificou com os cristãos perseguidos: “Eu sou Jesus, a quem tu persegues” (At 9.5-6).

Um dos três relatos da conversão de São Paulo recolhidos nos Atos dos Apóstolos acrescenta uma segunda pergunta: “Que devo fazer, Senhor?” (At 22,10). O encontro com Cristo deixou Saulo cego, por três dias. A cegueira do futuro Apóstolo dos gentios simboliza a missão a que o Senhor o envia: “Levanta-te e põe-te em pé. Eu te livrarei das mãos deste povo e também dos pagãos, aos quais te envio, para que lhes abras os olhos e para que se convertam das trevas para a luz” (At 26,16-18). Mais tarde, durante uma visão noturna, Paulo ouvirá estas palavras típicas dos relatos de vocação na Bíblia: “Não tenhas medo... Eu estou contigo!” (At 18,9-10).

São Paulo é exemplo e modelo para todos os discípulos e missionários de Jesus Cristo. Deus o tinha preparado para tanto, pois era de raça judaica, de língua e cultura grega e de nacionalidade romana. Situado nessa encruzilhada de raças e culturas, Paulo percorreu as maiores cidades da época, anunciando destemidamente o Evangelho de Jesus Cristo.

Paulo estabeleceu comunidades cristãs por onde passou, mantendo depois contato com elas, através de cartas. A tradição lhe atribui quatorze cartas que, hoje, fazem parte do Novo Testamento. Uma delas (a carta aos Hebreus), certamente não foi escrita por ele. As outras treze são divididas pelos especialistas em cartas paulinas (especialmente as quatro maiores: Romanos, 1ª e 2ª Coríntios e Gálatas) e cartas “deutero-paulinas”, que se não foram escritas pessoalmente por Paulo, teriam sido escritas pelos seus discípulos sob a sua inspiração.

As cartas de São Paulo nasceram de um coração apaixonado pelo Senhor Jesus, de quem ele diz “me amou e se entregou por mim” (Gl 2,20). E o verdadeiro amor a Cristo leva a amar a Igreja, a quem Paulo chama de “Corpo de Cristo” (1Cor 12,27) e “Esposa de Cristo” (cf. Ef 5,21-33). Neste Ano de São Paulo, leiamos as cartas paulinas, sentindo que, na Igreja, todos nós somos “um em Cristo Jesus” (Gl 3,28).

Padre Luís González-Quevedo, SJ
luisquevedosj@vilakostkaitaici.org.br

(Artigo publicado em: O Milite, junho 2008, p. 50)


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