1 - MEDITAÇÃO DO APELO DO REI ETERNO


Pe. Alberto Hurtado, jesuíta chileno do século XX, viveu num mundo de crises, guerras, opressões. Viveu dramas familiares. Teve de trabalhar para estudar e não lhe foi fácil deixar a Mãe viúva amparada para entra no Noviciado da Companhia. Sua obra mais conhecida foi em favor dos sem-teto, dos moradores de rua. Para eles, com seus alunos e ex-alunos, com suas mãos e uma velha camioneta criou o "Hogar de Cristo", até hoje levado por leigos e leigas e que tem feito milagres no Chile. Acreditou na educação, na Universidade. Fundou "Mensaje", revista de cultura também política e social, que continua se publicando. Foi o toque de graça para o ingresso de muitos na vida consagrada religiosa e sacerdotal e na militância laica da Igreja. Morreu ainda jovem, sofrendo um doloroso câncer com admirável ânimo e paciência. Já declarado bem aventurado, agora tivemos a alegria do anúncio de sua próxima canonização. Santificou-o o Espírito de Jesus, que sua liberdade aceitou e agradeceu. A Igreja de Deus, que tanto amou, compreendeu e serviu, agora vai reconhecer, em testemunho ao mundo inteiro, a obra que o Senhor Jesus e ele fizeram em sua vida santa de cristão para valer.

A Revista Eletrônica Inaciana se une à alegria da Igreja no Chile e na América Latina e à todo o mundo católico, e homenageia e dá a conhecer Santo Alberto do Chile com uma pequena série de seus textos.

1 - MEDITAÇÃO DO APELO DO REI ETERNO
(Extraído de pontos dados num retiro para jovens em 1946)
Alberto Hurtado S.J - Tradução: R. Paiva, SJ.

Ontem, dizíamos que queríamos viver, plenamente e com valentia, para sempre. Magnífico programa! Mas como? Viver: "Eu sou a Vida". Em que rumo? "Eu sou o Caminho e a Verdade.

O cristianismo não é uma doutrina abstrata: um conjunto de dogmas a crer, de preceitos e mandamentos! O cristianismo é Ele! E este foi o grande escândalo que muitos judeus não puderam suportar: "O Pai e Eu somos Um! Quem me vê, vê o Pai. Venham a mim vocês todos que estão cansados. Quem quiser vir comigo negue-se a si mesmo. Meu corpo é verdadeira comida. E quem dizem as pessoas que sou eu?" E Simão Pedro respondeu: "Tu és o Cristo". E Jesus: "Feliz és tu, Simão". Fiquemos bem convictos: Cristo, no cristianismo, não é uma devoção. Nem sequer a primeira das devoções, nem mesmo a maior das devoções. Verdade básica: o cristianismo é Cristo!

A perfeição sobrenatural - e também a natural - consiste em incorporar-se mais e mais vitalmente a Cristo. Em deixar que a graça, que dele vem, se apodere de mim. Que meus pensamentos, desejos e aspirações sejam os seus, até o ponto em que eu possa dizer com São Paulo: "Para mim, viver é Cristo. Vivo eu, mas já não eu: Cristo vive em mim". Ou, com Santo Tomás: "Senhor meu e Deus meu". Ou com São Francisco: "Meu Deus e meu tudo".

Aqui está a verdadeira grandeza, a suprema ambição, que uma pessoa possa ter: chegar a ser como Deus. Deus, porque a graça diviniza. Se a graça não encontra obstáculos a que profundidade penetra, a que altura eleva! Chega uma pessoa humana a conservar a natureza e a figura humanas, mas, no seu profundo, é um divinizado. Pensem em gente como Dom Bosco: "Dá-me almas ou tira-me tudo". São Francisco Xavier: "Basta, Senhor!" Santo Inácio de Loyola: "A maior glória de Deus". E São Luís Gonzaga, Santo Estanislau Kostka, Santa Teresinha, São Francisco de Assis. O que terá a humanidade produzido de melhor? São, na realidade, grãos de trigo mortos, mas deles se apoderou a vida e têm dado fruto em abundância.

Se há um empreendimento que valha a pena é certamente este: imensamente maior que a invenção da bomba atômica, que enche de pavor a humanidade; maior que todas as campanhas e realizações havidas neste mundo: assimilar-se vitalmente à divindade! Dar valor divino a cada uma das ações! Mas isto requer uma visão de fé, porque a grandeza divina é tão diferente da humana: "Não por meus caminhos! Mostra-me, Senhor, os teus caminhos!"

Fé, pedir esta fé, que nos oriente. Não o brilho do que é visível. Mas a fé inflamada pela caridade, animada pela esperança. Fé que me faça ter fome do que vai mais além da natureza. Ser Cristo: "Não me glorio de nada, a não ser de Cristo, e Cristo crucificado (1 Cor 2,2). Tenho as coisas do mundo como lixo."

Ele chama!

Ele veio a este mundo não para fazer sozinho sua obra, mas para faze-la conosco, com todos nós, para ser cabeça de um grande corpo cujas células vivas, livres e ativas somos nós.

Todos somos chamados a estar incorporados nele: isto é o básico da vida cristã. Mas a outros chamamentos mais altos: apelos para entregar-se a ele, a ser só para ele, a fazê-lo norma da própria inteligência, a tê-lo em conta em cada uma das próprias ações, a segui-lo em seus empreendimentos, mais ainda, a fazer de sua vida o empreendimento de Cristo!

Para o marinheiro, sua vida é o mar. Para o militar, o exército. Para a enfermeira, o hospital. Para o lavrador, o campo. Para a pessoa generosa, sua vida é o empreendimento de Cristo!

Deste modo, Ele chamou os Apóstolos: Mateus, que estava à mesa dos impostos; Pedro e André, de suas redes... Um por um, os Doze... Inácio, que era um soldado carnal e cheio de glória humana, na cama de convalescente. Xavier, rapaz esperto, inteligente, sociável, simpático, ambicioso de fama, de glória, chamou pela voz de Inácio e o converteu no "divino impaciente". Mateu Talbot, bêbado e desocupado, feito santo carregador de caminhões. Píer Giorgio Frassatti, alpinista enamorado dos altos cumes e da beleza feminina, feito modelo de um homem socialmente responsável. Thonet, tirado do trabalho na fábrica para ser feito o primeiro presidente mártir da Juventude Operária Católica (JOC), lá no campo de extermínio de Dachau, onde ele morreu cantando e oferecendo a vida pela classe operária. José Cardijn, do pequeno quarto nos altos da casa do seu pai, para ser feito pai dos pobres. Teresinha, da casa paterna dos "Buissonetes", tornada exemplo do amor abnegado e simples.

E ainda ontem vários dos que conhecemos no Colégio, na Universidade, chamados para fundar um lar santo, para consagrar-se ao apostolado e ação católica, ao apostolado social... E sem pagamento, contrato, aposentadoria!

Isto é o essencial do chamado de Cristo: "Queres consagrar-me tua vida?" Não é problema de pecado! É problema de consagração! A que? À santidade pessoal e ao apostolado. Santidade pessoal, que há de ser fundamentada na santidade de Cristo. Não há duas pessoas iguais, nem mesmo dois santos, mas o fundamento é o mesmo.

Se ele chamasse você, o que você faria? Eu queria que você pensasse a fundo, porque isto é o essencial dos Exercícios. Os Exercícios são um chamado a fundo à generosidade. Não movem pelo medo. Não são para assustar. Recordam os mandamentos, porque não podemos deixar de recordá-los. Os mandamentos são a base, o alicerce de toda a construção, porque são a vontade de Deus que obriga. Mas não são mais do que o alicerce, e não se vive sem fundamento...

Na casa da Igreja, a santidade e o apostolado são obra da generosidade dos fiéis. Se quiserem dar, podem dar. Se quiserem negar, podem negar. Assim fazendo não ferem nenhum direito, não cometem nenhum pecado, não merecem nenhuma reprovação, pois estão no seu direito. Os Exercícios não são para as pessoas que querem reclamar direitos e erguer defesas contra Deus. São para pessoas que querem subir. E quanto mais para cima, melhor. São para os que entenderam o significado do que significa "amar", e que o cristianismo é amor, e que o mandamento maior é o do amor, e que a característica do amor é doar, dar-se, fundir-se, perder-se - não dois, mas um com o amado.

Isto é amor e a isto aspiram os corações grandes, que são os que constroem a Igreja, os que a fazem viver, os que tomaram a sério sua missão! Ser "sal da terra: se o sal perder seu sabor, com que será salgado? Ser luz do mundo: se a luz escurece, quem iluminará?" Testemunhas de Cristo, se as testemunhas se afastam, como o Cristo será reconhecido? A Igreja não se funda nem existiria sem o amor generoso.

A prova da fé é o amor, o amor heróico e o heroísmo não é de obrigação. O sacerdócio, as missões, as obras de caridade não são matéria de deveres, não obrigam sob pecado, mas são absolutamente necessários à Igreja e são obra da generosidade. O dia em que não houver sacerdotes, não haverá sacramentos e o sacerdócio não é obrigatório. O dia em que não houver missionários, a fé não avançará, e as missões não são obrigatórias. O dia em que não houver quem cuide dos leprosos, dos pobres, não haverá o testemunho distintivo do Cristo, e estas obras não são obrigatórias. O dia em que não houver santos, não haverá Igreja, e a santidade não é obrigatória.Que grande é esta idéia! A Igreja não vive do cumprimento do dever, mas da generosidade dos seus fiéis!

Que grande é a confiança que Deus teve em nós, fiando-se de nossa nobreza, de nossa generosidade e esperar que lhe respondamos!

Se Ele chamasse você, o que você lhe diria? Em que disposição você está? Pede, suplica estar na melhor disposição. Santo Inácio pede a quem entra nos Exercícios: "Grande ânimo e generosidade para com Deus nosso Senhor!" Querer deixar-se mover e entregar-se por inteiro. Invocação ao Espírito Santo, porque se trata de coisa muito grande!

Escuta Jesus! É um chamado que se repete a cada ano, a cara dia e que a cada hora deveríamos escutar:

"Eu vim trazer a vida divina e como quero que arda! Eu vim apara inaugurar um Reino de justiça, de santidade e de paz. Baseado na fé. Nossos bens são a pobreza, a humilhação, a dor. Foi isto que tomei para mim. Quero que este exemplo seja fecundo. Minha Igreja não se funda na força, nos exércitos, em acordos políticos. Minha armada não é a invencível de canhões, tribunais, inquisição. Não. Minha armada é a dos pobres voluntários. Esta é a primeira peça do uniforme dos meus seguidores: 'Pobreza com Cristo pobre!' Para vencer a riqueza e os pecados da riqueza. Não à riqueza. Sim à pobreza voluntária, espontaneamente amada em todas as situações e estados de vida. Em vez de honra, humilhação. Em vez de 'dente por dente', dar a face esquerda a quem esbofeteou a direita. Dar a túnica a quem pede a capa. Dar dois mil passos a quem exige mil."

Francisco Xavier, pregando no Japão, foi cuspido na cara. Inácio, foi tratar do amigo doente, que o tinha roubado. Francisco de Assis pregando 'Paz e Bem' e doando-se todo.

Em lugar do conforto, a aceitação voluntária da dor. A dor acompanhou a Cristo desde a manjedoura até a Cruz. E os que são de Cristo amam a dor quando o Senhor a envia - mas não cultuam a dor pela dor, mas amam o que o Senhor envia, assumindo tarefas generosas sem delas desistir porque trazem dor. E, ainda mais, para completar o que falta à Paixão de Cristo há quem chegue a padecer ou morrer.

Fome de santidade, de santidade e imitação de Cristo. De santidade pobre, humilde, dolorosa. Servidores de Cristo, o Redentor crucificado. "Ser crucificados para o mundo", como pedia Santo Inácio. Gente que não procura sua comodidade, honra, fortuna. Ir com esta gente à conquista do mundo, conquista que é mais que o fruto de nossas palavras, mas sim o fruto da Graça de Deus, que vai transparecer em nossas vidas. Vidas que não têm nada do que o mundo ama e abraça, mas tudo o que Cristo amou e abraçou! "Realizadores da Palavra e não só ouvintes" (Tg 1,22).

Senhor, se nestes nossos atribulados tempos, de horrendos massacres, campos de extermínio, deportações, bombardeios, quando se acumula por um lado e por outro se trabalha exaustivamente para matar com armas mil vezes piores, tempos onde se despedaçam para possuir mais, para lucrar mais, para ter mais conforto, mais honras e menos dor, se nestes nossos tempos, uma geração compreendesse sua missão, poderia dar testemunho de Cristo em quem cresse. Não só com aclamações de "Cristo reina, vence, impera", sem nenhum significado. Mas como? Com a oferenda humilde, silenciosa das próprias vidas, para fazê-lo reinar pelos caminhos onde Cristo quer reinar: na sua pobreza, mansidão, humilhação, em suas dores, em sua oração e em sua caridade humilde e abnegada.

Se Cristo encontrasse esta geração! Se encontrasse uma só pessoa! Você quer ser esta pessoa? O mais humilde. O mais inútil aos olhos do mundo pode ser o mais útil aos olhos de Deus: "Senhor, não valho nada, mas confuso e com temor eu te ofereço meu próprio coração.

O Senhor, que entrou em Jerusalém no dia do seu triunfo montado num burrinho, segue fiel a esta prática. Escolhe as pessoas dos "burrinhos" de boa vontade, pobres, mansos, humildes. Você quer ser o "burrinho" de Cristo? Cristo não quer enganar-me. Ele precisa de mim neste empreendimento. É difícil. Bastante difícil. Há que lutar contra paixões próprias, que têm apetites contrários ao programa dele. Não ficarão mortas para sempre, mas que irão morrendo cada dia.

Há que lutar contra o ambiente: amigos, família, mundo, atrações. Tudo parecerá levantar-se escandalizado diante dos que pretendam seguir tal exemplo, por mais modesto que se dê, apontando seu erro. Se me amam, quererão m oferecer o que chama de "bens". Livrar-me de exageros ridículos, de coisas fora de moda, "que fazem mais mal do que bem". Que exageros? Por que não fazer como todo mundo?

Há que lutar contra os escândalos, contra os desânimos no empreendimento, o cansaço que vem com a idade, a secura do espírito, o tédio, a fadiga, a monotonia. Confirma Jesus:

"Sim, há que lutar, mas aí estou Eu. Tenham confiança em mim. Eu venci o mundo. Meu jugo é suave, meu peso é leve. Venham a mim vocês que estão cansados e sobrecarregados e Eu os aliviarei. Quem tiver sede venha a mim e beba. Eu farei nele brotar uma fonte que jorra para a vida eterna".

Quem quiser seguir a Cristo, arme-se com a armadura da fé:

"Esta é a vitória que vence o mundo: nossa fé (1 Jo 5,4)"

"Sim, Senhor, em teu Nome lançarei as redes" (Lc 5,5).

Palavra magnífica dos que amam a Cristo, e, pela fé em sua palavra se decidem a segui-lo. Ele diz:

"Preciso de você. Não forço ninguém, mas necessito de você para realizar meus planos de amor. Se você não vier, uma obra ficará sem ser feita, pois só você pode realizá-la. Ninguém pode assumir esta obra, porque cada um tem a sua parte no bem a fazer. Olha o mundo: as colheitas estão no ponto. E quanta fome e quanta sede no mundo! Olha como me procuram, mesmo os que me perseguem. Há uma fome ardente, atormentadora de justiça, de honestidade, de respeito à pessoa. Uma vontade resoluta de explodir o mundo, contanto que cessem as explorações vergonhosas. Há pessoas, entre os que se dizem meus inimigos, que praticam por ódio o que ensino por amor. Em muitos há uma fome de religião, de espírito, de confiança, de sentido de vida".

É o que repete o Papa. As missões, os países imensos, que se abrem e decidem seu futuro. Hoje é fácil a entrada. Desejam-na. Pedem-na. É como uma árvore na qual está posto o machado: do lado para a qual estiver inclinada cairá. O Japão abre suas portas. E se Cristo e sua Igreja entram nesta nação, ela nos dará santos como os quatro santos jesuítas crucificados, como os ouros nossos santos franciscanos e leigos. A China, disse José Cifuentes, pede apenas que a queiramos.

A ação social desinteressada, realista, sincera: fazer-se pobre de Cristo, ligar a própria vida à elevação dos excluídos, elemento substancial de uma nova ordem. Trabalho de formação modesto, entregue...

Consagra-se a esta ação católica. Não por um dia, ou por um ano, com direito a aposentadoria: "Já fiz bastante. Agora me retiro". Isto não! Mas com firmeza, por toda a vida, em humildade, no posto que me for dado. Não só no brilho das assembléias, mas no escondimento das secretarias, no posto humilde de um centro de serviços, pobre, humilde, com abnegação.

A profissão com este critério de entrega social, como meio de testemunho de Cristo. As aplicações, já vamos vê-las.

A família, à qual Deus me quer dar, não necessariamente num alto nível social, não para manter uma tradição, no que ela tem de profano, mas no que tiver de cristão, de espírito cristão. Se for necessário no interior, na fronteira, onde quer que seja, no Espírito de Cristo. Na Universidade, no escritório, na fábrica... Não só observando os mandamentos. Mas afeiçoando-me a viver em outro estado de vida: no plano da santidade por meu espírito de oração. No espírito da hierarquia de valores: primeiro os da santidade. A seguir, os de preparação científica também, mas sem espírito egoísta, mas por amor a meus companheiros e sacrifício por eles, com a abnegação de minha vida a serviço da Igreja.

Difícil? Sim. O mundo não o compreenderá. Zombará. Dirá: "Exageros! Ficou louco!" Também de Jesus se disse que estava louco. Foi vestido (na Paixão como rei) louco. Foi acusado de endemoniado e, finalmente, foi crucificado. E se hoje Cristo viesse à terra - tenho horror de pensá-lo não seria crucificado, mas fuzilado (....) Deus queira que não fizéssemos parte do coro se seus acusadores nem estivéssemos entre os que o fuzilariam.

Difícil? Sim, mas só aqui reside a vida. Acabou-se o heroísmo? Não, a guerra (a 2a Grande Guerra contra o nazifacismo) o demonstrou. Convivo com heróis. Fui muito próximo de O'Coblahan, "The honest man I never met" ("O mais honesto homem que já encontrei"). E não foi o único. Muitos o secundaram com igual heroísmo e partiram para a guerra com um sorriso nos lábios. Japão! Que boa matéria humana guarda para formar cristãos! China, Alemanha, Rússia, Chile...

Na grande obra de Cristo todos temos um lugar, distinto para cada qual, mas um lugar no plano de santidade. Na corrente de graça, que Deus prepara com bondade, estou chamado a ser um elo. Posso sê-lo. Posso recusá-lo. Que farei? Colocar este problema a fundo e responder com seriedade.

Muitos não terão o ânimo de pôr a questão. É superior a suas forças, mas, se pensassem nas forças de Cristo? Se pensassem que, com Cristo, eles também poderia ser ums anto. Que não se refugiem na covardia do puro dever!

Outros pensariam em fazer uma esmola com alguma coisa. Isto seria pior do que nada. Não é isto o que Cristo pede! Não é possível oferecer outra coisa, insistindo em que é boa, quando Cristo pede coisa melhor. A vontade de Deus é única e só.

Os tesouros: as pessoas generosas, que se deixam mover e se entregam, para estarem seguros de cumprir a vontade de Deus, "agindo contra sua sensualidade", abraçam o mais difícil no espírito, pedindo-o e suplicando que lhes seja concedido. E só deixarão de lado esta oferta se o Senhor mesmo lhes mostrar outro caminho mais suave. Mas, quanto ao que lhes toca, estão decididos a ir àquilo! Exemplos: Doyle, Santo Inácio de Antioquia, João de Brébeuf.

Terminar com o "Eterno Senhor" *.

Eterno Senhor de todas as coisas, eu me ofereço, com vossa graça e ajuda, diante de vossa infinita bondade, de vossa mãe gloriosa e de todos os santos da corte celestial: quero e desejo, e é minha determinação deliberada, desde que seja para o vosso maior serviço e louvor, imitar-vos em passar todas as injúrias, todas as afrontas e toda a pobreza, tanto material quanto espiritual - se vossa santíssima Majestade me quiser escolher e receber nesta vida e estado.
(Santo Inácio de Loyola, "Exercícios Espirituais" - 98).