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Para Inácio de Loyola, como para qualquer pessoa cristã de verdade, Cristo é o centro, o começo e a meta, o alfa e ômega. Deste afeto a Jesus, que o eixo profundo dos Exercícios Espirituais, surgiu a idéia desta seção, onde vários Autores, que amaram nosso Salvador e escreveram sobre ele, falem agora a você, que visita ITAICI - Revista Eletrônica Inaciana. Traduções
e adaptações de VIDA
DE JESUS
Fulton J. Sheen Nos anos dourados, os anos 50, teve grande divulgação no pequeno público leitor católico da época, a edição da “Vida de Cristo” por Fulton J. Sheen, pela Editora Educação Nacional, de Porto, Portugal. Bispo auxiliar de Nova York, num momento de grande prestígio para o catolicismo norte-americano, que subia com a ascensão social dos imigrantes italianos e irlandeses, famoso por suas palestras radiofônicas (estávamos em plena “era do rádio”, pré-televisão!), sua obra alcançou merecida divulgação, extraordinária hoje para um livro de mais de 600 paginas! Damos a você, visitante da Revista Eletrônica Inaciana, uma pequena antologia que lhe permita saborear a inteligência, a piedade e a contemplação da Vida de Cristo por este bom amigo de Jesus. 2º
segmento
A ÚNICA PESSOA QUE FOI PRÉ-ANUNCIADA - 3 O segundo fato distintivo a respeito de Cristo foi que sua aparição causou tal repercussão na história que esta ficou dividida em dois períodos: antes e depois de sua vinda. Buda, nem nenhum dos grandes filósofos indianos provocaram tal divisão. Os próprios ateus são obrigados a datar seus ataques a ele dos anos a partir de sua vinda. O terceiro fato que o põe à parte de todos os outros é que todos os que têm vindo a este mundo vieram para viver. Ele veio para morrer. Para Sócrates, a morte foi um obstáculo fatal que interrompeu seu ensino. Mas, para Cristo, a morte constituiu a meta e a realização plena de sua vida, o ouro que tinha vindo procurar. A história de cada um de nós começa com o nascimento e termina com a morte. Em Cristo, porém, esteve, primeiro, a sua morte e, no fim, a sua vida. As Escrituras o descrevem como o Cordeiro sacrificado desde o princípio do mundo. Foi morto intencionalmente pelo primeiro pecado de rebelião contra Deus. Não foi tanto o seu nascimento que espalhou uma sombra sobre sua vida, arrastando-o assim para a morte. Foi antes a Cruz que, aparecendo primeiro, projetou sua sombra até o nascimento. A sua vida foi a única no mundo que foi vivida recuando. Como a flor, pendente do muro, fala ao poeta da natureza, e, como átomo é todo o sistema solar em miniatura, assim também o nascimento de Cristo revela o mistério do patíbulo. Ele passou do conhecido ao conhecido: da razão de sua vinda, manifestada no nome de Jesus, isto é, Salvador, à realização de sua vinda, isto é, a morte na Cruz. O evangelista João nos dá a sua pré-história eterna. Mateus, a sua pré-história temporal, por meio de sua genealogia. È significativo que a ascendência temporal de Cristo estivesse tão ligada a pecadores e pessoas fora do povo hebreu! Esta marca no escudo de sua linhagem humana sugere a Aliança de misericórdia com os pecadores e estrangeiros. Estes dois aspectos de sua compaixão seriam, mais tarde, lançados contra ele como acusações: É amigo dos pecadores... É um samaritano... Mas à sombra deste passado com manchas faz prever um futuro de amor pelos manchados. Nascido de mulher, era homem, e podia se unir com toda a humanidade. Nascido duma virgem, que tinha sido envolvida pela sombra do Espírito, a cheia de graça, ele estaria fora da corrente do pecado que polui todo ser humano. |