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Para Inácio de Loyola, como para qualquer pessoa cristã de verdade, Cristo é o centro, o começo e a meta, o alfa e ômega. Deste afeto a Jesus, que o eixo profundo dos Exercícios Espirituais, surgiu a idéia desta seção, onde vários Autores, que amaram nosso Salvador e escreveram sobre ele, falem agora a você, que visita ITAICI - Revista Eletrônica Inaciana. Traduções
e adaptações de VIDA
DE JESUS
Fulton J. Sheen Nos anos dourados, os anos 50, teve grande divulgação no pequeno público leitor católico da época, a edição da “Vida de Cristo” por Fulton J. Sheen, pela Editora Educação Nacional, de Porto, Portugal. Bispo auxiliar de Nova York, num momento de grande prestígio para o catolicismo norte-americano, que subia com a ascensão social dos imigrantes italianos e irlandeses, famoso por suas palestras radiofônicas (estávamos em plena “era do rádio”, pré-televisão!), sua obra alcançou merecida divulgação, extraordinária hoje para um livro de mais de 600 paginas! Damos a você, visitante da Revista Eletrônica Inaciana, uma pequena antologia que lhe permita saborear a inteligência, a piedade e a contemplação da Vida de Cristo por este bom amigo de Jesus. VIDA
DE CRISTO
(3)
OS TRÊS DESVIOS NO CAMINHO DA CRUZ - 3 A terceira tentação A terceira tentação teve lugar no alto da montanha. Era a terceira tentativa de desviar Cristo da Cruz, fazendo-lhe, desta vez uma proposta para coexistência entre o bem e do mal. Veio para estabelecer um reino na terra, entregando-se como Cordeiro, que é levado ao sacrifício. Porque não havia de escolher um caminho muito mais rápido de estabelecer o seu reino, por meio de um acordo, que lhe daria tudo quanto desejava, isto é, o mundo, mas sem a Cruz?
As palavras de Satanás parecem, na verdade, demasiado vaidosas. Teriam sido entregues a ele, de verdade, os reinos deste mundo? Nosso Senhor o chamou de “príncipe deste mundo”. Mas não foi Deus quem lhe entregou reino algum deste mundo. Mas foi a humanidade, pelo pecado. Mas mesmo que Satanás, de fato, governasse os reinos da terra por consentimento popular, não estava em sua mão dá-los a quem quisesse. O demônio mentia, com a intenção de afastar outra vez Nosso Senhor do caminho da Cruz, apontando-lhe um desvio. Oferecia-lhe o mundo com a condição de adorar a ele, Satanás. Adoração inclui, naturalmente, serviço, que seria este: uma vez que o reino do mundo estava sob o poder do pecado, o novo reino de Nosso Senhor deveria ser apenas a continuação do antigo. Numa palavra: Jesus poderia possuir a terra, contanto que prometesse nada mudar. Poderia possuir os seres humanos, contanto que prometesse não libertá-los. Mais tarde, Cristo teria de enfrentar tal tipo de tentação, quando o povo o procurasse para fazê-lo rei:
Diante de Pilatos, Jesus iria declarar também que haveria de estabelecer um novo Reino, mas que não seria um dos reinos oferecidos por Satanás. Quando Pilatos lhe perguntou “Tu és Rei?”
O reino oferecido por Satanás era deste mundo, não do Espírito. Continuaria a ser um reino do mal, na qual não seriam regenerados os corações dos súditos. De fato, este era o sentido das palavras do demônio: “Tu vieste, ó Cristo, para ganhar o mundo, mas o mundo já é meu. Estou disposto a entregá-lo a ti, contanto que tomes um compromisso e me adores. Esquece a Cruz, esquece o teu Reino do Céu. Queres o mundo? Ei-lo a teus pés. Serás aclamado com hosanas, como nunca Jerusalém entoou para os seus reis, e evitarás as penas e dores na Cruz da contradição”. Mas Cristo, bem sabendo que esses reinos só podiam ser alcançados por meio de sofrimentos e morte, respondeu ao demônio:
Podemos imaginar como terão soado estas palavras concisas e inflexíveis aos ouvidos do demônio: Satanás:
E o Senhor baixou daquela montanha tão pobre na descida, quanto na subida. Ao terminar sua carreira nesta terra e ao ressuscitar dos mortos, falaria aos Apóstolos no alto de outra montanha:
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