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Para Inácio de Loyola, como para qualquer pessoa cristã de verdade, Cristo é o centro, o começo e a meta, o alfa e ômega. Deste afeto a Jesus, que o eixo profundo dos Exercícios Espirituais, surgiu a idéia desta seção, onde vários Autores, que amaram nosso Salvador e escreveram sobre ele, falem agora a você, que visita ITAICI - Revista Eletrônica Inaciana. Traduções
e adaptações de VIDA
DE JESUS
Fulton J. Sheen Nos anos dourados, os anos 50, teve grande divulgação no pequeno público leitor católico da época, a edição da “Vida de Cristo” por Fulton J. Sheen, pela Editora Educação Nacional, de Porto, Portugal. Bispo auxiliar de Nova York, num momento de grande prestígio para o catolicismo norte-americano, que subia com a ascensão social dos imigrantes italianos e irlandeses, famoso por suas palestras radiofônicas (estávamos em plena “era do rádio”, pré-televisão!), sua obra alcançou merecida divulgação, extraordinária hoje para um livro de mais de 600 paginas! Damos a você, visitante da Revista Eletrônica Inaciana, uma pequena antologia que lhe permita saborear a inteligência, a piedade e a contemplação da Vida de Cristo por este bom amigo de Jesus. VIDA
DE CRISTO
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PRIMEIROS ANOS DA VIDA DE CRISTO - 1 O quarto distintivo é que, pelo contrário de todos os outros mestres do mundo, Cristo não se adapta à categoria estabelecida de “homem bom”. Pois um homem bom não mente. Ora, se Cristo não fosse quem disse que era, isto é, o Filho de Deus Vivo, o Verbo de Deus feito carne, então não seria precisamente “um homem bom”, mas um vigarista, um impostor,um charlatão, o maior mentiroso de todos os tempos. Se ele não fosse quem disse que era, o Cristo, o Filho de Deus, ele seria o Anti-Cristo! Sendo apenas homem, não seria sequer um “homem bom”! Mas ele não era tão somente um homem. Ele nos obrigaria a adorá-lo ou desprezá-lo: sendo simples homem, a desprezá-lo; sendo verdadeiro Deus e verdadeiro homem, a adorá-lo. Não há alternativa diferente. (...) Se ele é quem pretende ser, isto é, o Salvador dos homens, então temos um Cristo valoroso, um chefe ao qual vale a pena seguir nestes tempos terríveis. Temos alguém que caminhará para o redemoinho da morte, destruindo o pecado, o desespero, a dor. Um chefe ao qual podemos fazer sacrifícios totais, sem nada perder, antes assegurando a liberdade. A quem podemos amar, mesmo até à morte. Hoje em dia, temos necessidade de um Cristo que junte cordas num molho para expulsar os vendilhões de nossos templos. Que faça secar as figueiras estéreis. Que fale de cruzes e sacrifícios e cuja voz tenha a força do mar embravecido. Nunca nos permitirá fazer uma seleção de suas palavras,para pormos de Aldo as mais custosas e aceitarmos as mais agradam nossas fantasias. Temos necessidade de um Cristo que restaure nossa capacidade de indignação moral, que nos faça detestar apaixonadamente o mal e amar a tal ponto o bem que bebamos a morte como quem bebe água. A Anunciação do Anjo a Maria Há, no passado de todas as civilizações uma tradição de existência da “idade ouro”. Uma narrativa judaica é mais precisa, e fala de uma queda do estado de inocência e felicidade por causa de uma mulher que tentou um homem. Se uma mulher desempenhou tal papel na ruína da humanidade, não seria justo que esta humanidade tivesse grande parte de sua restauração devida a uma mulher? E se houve um Paraíso perdido, onde foram celebradas as primeiras núpcias entre homem e mulher, não seria possível um novo Paraíso, no qual fossem celebradas as núpcias entre Deus e a nossa humanidade? Na plenitude dos tempos, desceu o Ando da Luz, do grande Trono da Luz, a uma virgem prostrada em oração e perguntou-lhe se queria dar a Deus uma natureza humana. Sua resposta foi que ela “não conhecia homem”. Não podia, assim, ser a mãe do “Esperado das Nações”. Não pode haver nascimento sem amor. Nisto tinha razão a donzela. A geração de uma nova vida exige o fogo do amor. Mas, ao lado da paixão humana, que faz germinar a vida, há “a paixão desapaixonada, a tranqüilidade tempestuosa” do Espírito Santo. Foi ela que projetou a sua sombra sobre a mulher e nela gerou o Emanuel, “o Deus conosco”. No mesmo instante em que Maria pronunciou o “Faça-se!”, aconteceu alguma coisa mais grandiosa ainda do que o “Faça-se a luz” da criação. Porque a luz criada nesse momento não era como a do sol, mas o Filho de Deus em carne humana. Pronunciando o “Faça-se!”, Maria realizou, no mais alto grau, a missão da mulher, isto é, ser portadora dos dons de Deus para a humanidade... |