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Para
Inácio de Loyola, como para qualquer pessoa cristã de verdade,
Cristo é o centro, o começo e a meta, o alfa e ômega. Traduções
e adaptações de NOSSO
SENHOR JESUS CRISTO
SEGUNDO OS EVANGELHOS Louis Claude Fillion A
seu tempo, Jean Claude Fillion (1843-1927), Padre de São Sulpício,
foi um pioneiro dos estudos científicos da Bíblia, chegando
a ser consultor da Pontifícia Comissão Bíblica. Com
os progressos dos estudos bíblicos, a obra de Fillion não
ficou desvalorizada, pois suas intuições e espiritualidade
continuam válidas, como o prova esta edição da EDIBESA,
Madrid, 2002, da qual extraí e traduzi alguns trechos. O sítio
eletrônico da editora é <www3.planalta.es/edibesa>. No
seu prólogo, o Autor fala de sua obra maior, um estudo científico
dos dados evangélicos sobre Jesus, e diz que muitos lhe pediram
que escrevesse uma vida "mais simples" de Nosso Senhor. E esta
foi a obra que o consagrou, a mais simples! O
curioso é que, depois do furacão provocado por Bultmann
e sua teoria da "história das formas", que necessariamente
postulava uma lenta composição dos atuais textos, os estudiosos
se voltam mais e mais para as datas tradicionais: "Os três
primeiros (evangelhos), de São Mateus, São Marcos e São
Lucas não apareceram mais além dos dez, quinze e vinte e
cinco anos da morte de Nosso Senhor. A última edição da Bíblia de Jerusalém afirma:" "É muito difícil precisar a data da redação dos Sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas) (...) colocar-se-á a composição de Marcos um pouco antes (Clemente de Alexandria), ou um pouco depois (Irineu) da morte de Pedro, entre 64 e 70, não depois desta data (...) Mateus e Lucas supõem que a ruína de Jerusalém é fato realizado (...). Deveríamos
então datá-los entre 75 e 90 (...). Se admitirmos que os
Sinóticos foram compostos por etapas, a datação da
última redação deixa a possibilidade de datas mais
antigas para as redações intermediárias, mais ainda
para o Mateus aramaico, que estaria na origem da tradição
sinótica". Gianfranco
Ravasi (ver A Boa Nova - As histórias, as idéias e os personagens
do Novo Testamento", Edições Paulinas / SP, 1999),
também coloca Marcos (redação final) entre os anos
65 e 70. Para Mateus, ele supõe a data em algum momento dos "anos
80". Já Lucas é situado perto do ano 70. Quanto a João,
estaria pronto no final do século 1º, portanto nos anos 90. Seleção e tradução por R. Paiva, SJ 3º
segmento
As condições sociais A vida em família
O divórcio
era autorizado pela lei mosaica, e se cometiam grandes abusos, que
Jesus, um dia, deplorou, suprimindo , para sempre, esta licença
concedida em vista da "obstinação do coração". Os Evangelhos falam, às vezes, das crianças. Há um aspecto que merece ser mencionado nesta introdução: as crianças costumavam sair imitando, em suas brincadeiras, as cerimônias tristes ou alegres que haviam assistido, funerais ou casamentos (Mt 11,11-17; Lc 7,31-32). Este dom de imitação é comum na infância. Sabemos, pelos escritos dos rabinos judeus que havia, nesta época, numerosas escolas por toda a Palestina, e os pais faziam questão de ali enviar seus filhos. Recordemos que ter filhos era ao que mais desejavam os pais, e a esterilidade era tida como afronta e humilhação. Os Evangelhos mencionam vários tipos de doenças que afligiam, por aquele tempo, a Palestina. A referência a milagres de cura feitos por Jesus Cristo sublinha, com eloqüência, esta dura realidade, manifestando a nossos olhos tantas enfermidades corporais. Ainda hoje, naquelas terras, não faltam misérias a lamentar, como a dezenove séculos atrás (n.t.: o Autor viveu entre o século 19 e o 20!). Ali, como na Síria e em todo o Oriente bíblico (...) Pelo que diz a literatura rabínica das práticas médicas de então, os médicos mereciam mais o nome de curandeiros. A reflexão que faz São Marcos (Mc 5,21-26) se justifica muito: "A mulher havia sofrido muito, durante doze anos, em mãos dos médicos, e depois de gastar tudo o que tinha, não experimentou nenhum alívio, mas se achava muito pior." Final da seleção de textos |