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Para Inácio de Loyola, como para qualquer pessoa cristã de verdade, Cristo é o centro, o começo e a meta, o alfa e ômega. Deste afeto a Jesus, que o eixo profundo dos Exercícios Espirituais, surgiu a idéia desta seção, onde vários Autores, que amaram nosso Salvador e escreveram sobre ele, falem agora a você, que visita ITAICI - Revista Eletrônica Inaciana. Traduções
e adaptações de VIDA
DE JESUS
Fulton J. Sheen Nos anos dourados, os anos 50, teve grande divulgação no pequeno público leitor católico da época, a edição da “Vida de Cristo” por Fulton J. Sheen, pela Editora Educação Nacional, de Porto, Portugal. Bispo auxiliar de Nova York, num momento de grande prestígio para o catolicismo norte-americano, que subia com a ascensão social dos imigrantes italianos e irlandeses, famoso por suas palestras radiofônicas (estávamos em plena “era do rádio”, pré-televisão!), sua obra alcançou merecida divulgação, extraordinária hoje para um livro de mais de 600 paginas! Damos a você, visitante da Revista Eletrônica Inaciana, uma pequena antologia que lhe permita saborear a inteligência, a piedade e a contemplação da Vida de Cristo por este bom amigo de Jesus. 1º
segmento
A ÚNICA PESSOA QUE FOI PRÉ-ANUNCIADA - 1 A História está cheia de homens que se apresentaram como vindos de Deus, quer como deuses, quer como portadores de mensagens divinas: Buda, Maomé, Confúcio, Cristo, Lao Tze e milhares de outros até o último que, em nosso dias, fundou uma nova religião. Cada qual tem o direito de ser ouvido e considerado. Mas assim como precisamos de uma régua externa e independente das coisas que devem ser medidas, precisamos de provas permanentes a alcance de todas as pessoas, de todas as civilizações e épocas, que nos habilitem a decidir se cada um ou todos estes pretendentes podem justificar sua pretensão. Estas provas são de duas espécies: razão e história. Razão, porque é comum a todos, mesmo aos sem fé. História, porque todos vivemos dentre dela e sabemos alguma coisa a seu respeito. A razão nos diz que, se alguma destas pessoas veio realmente de Deus, o mínimo que Deus poderia fazer em apoio desta pretensão seria o pré-anunciar sua vinda. Os fabricantes de automóveis avisam seus clientes do tempo em que devem esperar um novo modelo. Se alguém é enviado por Deus pessoalmente, ou se foi ele próprio quem veio com uma mensagem de importância vital para os seres humanos, parece razoável que primeiro desse a conhecer a nós o tempo da vinda do seu mensageiro, onde devia nascer, onde devia viver, a doutrina que devia ensinar, os inimigos que teria, o programa que adotaria para o futuro e o gênero da morte. Poderíamos, assim, avaliar a validade de suas pretensões pela maior ou menor exatidão no cumprimento destas predições. Por sua vez, a razão nos assegura ainda que, se Deus não fizesse deste modo, nada impediria que qualquer impostor se apresentasse na história dizendo: Eu venho de Deus! Ou: Um anjo me apareceu no deserto e me deu esta mensagem! Neste caso, não haveria nenhuma maneira objetiva e histórica de comprovar a verdade deste mensageiro. Teríamos apenas seu próprio testemunho, o qual, como é óbvio, poderia ser falso. Se um estrangeiro chegasse a Washington e se apresentasse como diplomata, a autoridade lhe pediria o passaporte e outros documentos que o credenciassem como representante de um determinado governo. A data destes papéis deveria ser anterior à sua vinda. Se tais provas de identidade são exigidas de representantes diplomáticos, a razão pede que se proceda do mesmo modo com os que se apresentam como mensageiros de Deus. A razão pergunta a cada um destes pretendentes: Onde está o testemunho, anterior a seu nascimento, que se refira à sua vinda? Com este exame, podemos avaliar os pretendentes. Nesta fase preliminar, Cristo está no mesmo plano dos outros. Sócrates não teve ninguém que predissesse o seu nascimento. Buda não teve ninguém que o pré-anunciasse a ele e a sua mensagem, nem que declarasse o dia em que se sentaria de baixo da árvore. O nome da mãe de Confúcio e o lugar do seu nascimento não foram declarados aos seres humanos uns séculos antes de sua vinda, de modo que ficássemos habilitados, na sua chegada, de reconhecê-lo como mensageiro de Deus. Com Cristo, porém, é diferente. Graças às profecias do AntigoTestamento, sua vinda não foi inesperada. Não havia predições a respeito de Buda, Confúcio, Lao Tze, Maomé ou outros, mas as havia sobre Cristo. Outros chegaram e disseram simplesmente: Acreditem em mim. Então, eram homens e não o Divino no humano. Só Cristo saiu desta linha de comportamento. Só ele podia apelar para o exame dos escritos do povo judeu, os relatos históricos dos babilônios, persas, gregos e romanos. E por enquanto consideremos todos estes escritos e até o Antigo Testamento só como documentos históricos e não como palavras inspiradas. É certo que as profecias do Antigo Testamento se compreendem melhor à luz de sua realização. A linguagem profética não tem a exatidão da matemática. Contudo, se examinarmos as várias correntes messiânicas do Antigo Testamento e compararmos a pintura que daí emerge com a vida e ações de Cristo, será que podemos duvidar que as antigas predições se referem a Jesus e ao reino por ele estabelecido? A promessa de Deus aos patriarcas e que, por eles, todas as nações da terra seriam abençoadas; a predição de que a tribo de Judá prevaleceria todas as outras tribos hebréias até a vinda daquele que aquém todas as nações obedeceriam; o fato estranho, mas inegável, de que se encontre, na Bíblia dos judeus de Alexandria, a versão grega dita “dos Setenta”, claramente predito, o nascimento virginal do Messias; a profecia do capítulo 53 de Isaías a cerca do sofredor resignado, o Servo do Senhor, que fará a oferta de sua vida pelos pecados do povo; as perspectivas do Reino glorioso e terno da Casa de Davi – em quem se cumpriram estas profecias senão em Cristo? Mesmo só do ponto de vista histórico temos aqui algo de único, que coloca Cristo à parte de todos os outros fundadores de religiões do mundo. E um vez que a realização destas profecias se comprovou, historicamente na pessoa de Cristo, não somente cessaram todas as profecias de Israel, mas também se deu a descontinuidade dos sacrifícios, pois o Cordeiro Pascal foi imolado. |