![]()
Para Inácio de Loyola, como para qualquer pessoa cristã de verdade, Cristo é o centro, o começo e a meta, o alfa e ômega. Deste afeto a Jesus, que o eixo profundo dos Exercícios Espirituais, surgiu a idéia desta seção, onde vários Autores, que amaram nosso Salvador e escreveram sobre ele, falem agora a você, que visita ITAICI - Revista Eletrônica Inaciana. Traduções
e adaptações de VIDA
DE JESUS
Louis Veuillot Louis Veuillot foi um jornalista e escritor, diretor do jornal católico francês “L’Univers”. Famoso e popular nos meios católicos do século XIX, hoje, quando citado, normalmente é classificado de “polemista”. É também considerado como líder dos “ultramontanos”, partido dos defensores da infalibilidade e da supremacia papal. No entanto, sua “Vida de Jesus”, traduzida pelo Visconde de Castilho, pela desaparecida “Editora Jornal dos Livros”, São Paulo, Brasil, com “Imprimatur” (licença eclesiástica para impressão” do ano de 1961, mostra que sua influência chegou até a segunda metade do século passado. Damos aqui uma pequena amostra desta outra tentativa de chegar a uma vida de Jesus, a partir dos dados do Novo Testamento, projeto hoje abandonado pelo reconhecimento de que, literatura oral posta por escrito, os Evangelhos não tencionam ser biografias, mas anúncio e testemunho para comunidades muito próximas dos acontecimentos, que conheciam, digamos assim, a vida de Jesus, mas que precisavam ser recordadas e exortadas em vista de uma vida autenticamente cristã, conforme suas necessidades específicas. O português rebuscado do Tradutor, danifica um tanto o francês límpido do original francês, que não temos na nossa excelente Biblioteca de Itaici. Por isto permiti-me correções de pormenor e substituições de termos desusados para facilitar a leitura. Paixão
de Nosso Senhor Jesus Cristo
(a prisão)
Depois de aquiescer plenamente à vontade do Pai, disse Jesus, com a maior serenidade aos Apóstolos: “Chegou à hora em que o Filho do Homem vai ser entregue aos inimigos. Erguei-vos e partamos. Já vem aquele que vai me entregar”. Nesse instante, chegou Judas, guiando uma turba de soldados romanos e de guardas dos chefes judeus, todos armados e espadas e bastões, à luz de tochas. Judas lhes tinha dito: “Observem” É aquele a quem eu beijar”. Aproximou-se logo de Nosso Senhor e disse, beijando-o: “Eu te saúdo, Mestre”. Daí em diante, cumpriu-se o formulário dos traidores. Como comenta Orígenes, todos os hereges dirigem a Jesus a saudação de Judas: “Ave, Rabi”. Recebeu Jesus mansamente o beijo do Iscariotes e disse-lhe apenas: “Amigo, a que vieste? Ai Judas, Judas, com um beijo entregas o Filho do Homem?” Que ternura e que celeste profundeza nestas poucas palavras” Judas, entregas, sim, o Filho do Homem, mas não hás de conseguir entregar o Filho de Deus. Não podes entregar a divindade. E, lembra-te, este Filho do Homem, que assim entregas, foi por ti também que assumiu aquela carne. Não se excedeu Judas contra o seu Mestre. Encolheu-se, calado, junto ao grupo imóvel. Jesus, então, adiantou-se alguns passos, e perguntou-lhes: “A quem buscais”? Ou não o tinham visto ainda, apesar d luz das tochas, ou o sinal de Judas não fora suficiente para o reconhecerem logo, ou, talvez, não se atreviam a aproximar-se. Responderam: “Buscamos Jesus de Nazaré”. Disse Jesu: “Sou eu”. Então, por certo, viram o que quer que fosse do que hão de ver os que no dia derradeiro forem colocados à esquerda do Juiz. Apenas ele proferiu “Sou eu”, recuaram e caíram por terra. Prostram-se os justos de rosto no chão, sabendo muito bem onde caem. O seu ânimo, porém, se ergue para as alturas do invisível. Os condenados, pelo contrário, derrubados no caminho de suas perversidades, caem de costas, atolados no invisível terrestre, no eterno desconhecido. Voltou Jesus a perguntar-lhes: “A quem buscais?” Disseram de novo: “A Jesus de Nazaré”. Ele replicou: “Já vos disse que sou eu. Se, então, me procurais, deixai estes meus discípulos em paz.” Dava-lhes uma ordem, e eles o obedeceram. É de se pensar que também houvessem prendido alguns dos seguidores de Jesus. Os chefes judeus tinham pensado em matar Lázaro. Caifás interorgaria Jesu a respeito de sua doutrina e dos seus partidários. Mas Jesus não queria que se perdesse um único dos seus, cuja fé ainda não estava bastante firme, aponto de poder enfrentar o combate. Com efeito, nenhum deles se perdeu, a não ser o excomungado, que porfiava em destruir-se. Depois de ter manifestado, assim, seu poder, e outorgado, portanto, a Judas e aos outros uma graça, de que eles bem poderiam ter aproveitado, consentiu Jesus que se aproximassem dele. Então, os discípulos disseram: “Senhor, e se usássemos a espada”. E sem esperar pela resposta, Pedro, que levava uma espada, feriu um servidor do Sumo Sacerdote, cortando-lhe a orelha direita. Pedro tinha querido acertá-lo na cabeça. O dito servidor se chamava Malco, que significa “rei”. Era um símbolo do povo judaico, decaído de sua realeza e vergado sob o tríplice jugo de uma nação de infiéis, um sacerdócio corrompido e uma letra da lei já sem significado. Jesus tocou com a mão o feridoque logo ficou curado. Querem alguns que seja este mesmo Malco, servo da sinagoga, que teria esbofeteado Jesus no tribunal de Caifás. Quantos outros poderosos da terra, servidores do erro, esquecendo os benefícios recebidos, não hão também de esbofetear Jesus, acusado nas sinagogas de Satanás. Curando o servidor, Jesus ordenou aos discípulos: “Chega!”. E disse a Pedro: “Põe a espada na bainha! Quem com a espada fere, com a espada será morto!” |