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“QUAL
É A SUA”? [EE 149-157]
O exercício das Duas Bandeiras foi uma oração
para alcançar a graça da lucidez interior, tão necessária
nestes tempos difíceis em que vivemos. A MEDITAÇÃO
DOS TRÊS TIPOS DE PESSOAS [EE 149-157] se segue levando-nos a pedir
a graça de força de vontade para escolher o que mais for
para a glória de sua divina Majestade e minha salvação
[EE 152]. Quando Inácio se chamava ainda de Iñigo, e era
jovem cavaleiro a serviço do Ministro da Fazenda dos Reis Católicos,
Fernando e Isabel, o nobre Velasquez, acompanhou seu patrão várias
vezes ao porto de Sevilha, onde ficava a sede dos negócios da Espanha
com suas conquistas americanas. Ali encontrou vários conterrâneos
que se tinham enriquecido com o saque das riquezas dos aztecas e incas
e chibchas, e o trabalho escravo dos ameríndios. Muitos eram analfabetos
ou quase. Associavam-se, então, a gente que soubesse ler e entendesse
de contabilidade e negócios. Estas associações eram
conhecidas como “binários”. As fortunas mal havidas,
por tanto massacre e tirania, eram o capital do conquistador, gerido por
alguém de sua confiança, compondo o “binário”.
Por isso, Inácio, no texto autógrafo dos EE, nos fala de
“três binários”, que, agora, traduzimos por “três
Talvez ajude a fazer bem este exercício, contemplarmos dois corações livres de si mesmos, pois amavam e confiavam em Deus acima de tudo, como dois bons filhos de Abraão. Li esta estória em criança, em Lendas do Povo de Deus, do grande Malba Tahan. O Rabi Mayer foi fazer uma viagem. Na véspera de sua volta, uma febre maligna matou seus dois filhos. A mãe, desolada, pensou no desgosto do marido. Como dar-lhe a notícia? Ele estava para chegar a qualquer momento! Na oração, veio-lhe uma idéia. Pediu que os vizinhos e parentes se retirassem. Fez com que os dois corpos fossem depositados no quarto do casal e esperou, sozinha, o Rabi. Quando ele chegou, viu sua grande tristeza. Perguntou-lhe o que tinha acontecido. A boa mulher, então, falou a verdade por uma parábola. Contou que uma amiga lhe tinha confiado um par de brincos muito precioso e belo. Confessou que ela se tinha afeiçoado muito a estes brincos que, no entanto, não lhe pertenciam. Agora a amiga mandara recado de que viria buscar as jóias. E ela estava triste, pois se apegara! O Rabi disse: “Mulher! Não pode ser! Somos honestos! O que nos foi confiado temos de devolver!” A mulher respondeu: “Marido, venha ver os brincos e ajude-me a desfazer-me deste depósito!” Assim dizendo, levou o Rabi para o quarto. Ele viu os dois filhos mortos, entendeu a palavra de sua mulher, e murmurou, de coração dorido mas fiel: Deus deu, Deus tirou, bendito seja o Seu Santo Nome! (Jó 1,21). Assim são os corações que Nosso Senhor consola e concede a graça de se confiarem em tudo a Ele. Assim são as pessoas do terceiro tipo: o terceiro tipo quer tirar o afeto ao bem mal havido. Mas, de tal modo, que não tenha afeição posta na coisa adquirida. Apenas quer conservá-la ou não, conforme o que nosso Senhor puser em sua vontade ... quer proceder com quem renuncia a tudo afetivamente, esforçando-se em ... ser movido apenas pelo serviço de Deus nosso Senhor [EE 155]. EXERCÍCIO
EXERCÍCIO
DOS TRÊS TIPOS DE PESSOAS Ir. Maria Fátima Maldaner, SND Obs.: Antes de entrar em oração, leia o artigo anterior! Prepare-se! Convide todo o seu corpo para participar deste momento de oração pessoal. Sinta a quietude e o silêncio do corpo inteiro. Pare. Volva um olhar amigo para o Autor e Criador do seu ser. Faça sua oração preparatória como de costume. 1 Sem pressa, pausadamente, leia os relatos de três personagens dos Evangelhos, que queriam seguir a Jesus, mas, concretamente, encontram situações que os impedem de dar resposta pronta, que correspondesse a este desejo e apelo. Observe, com muita atenção, a atitude de uns e de outros. 2. Procure colocar-se diante de Deus e dos seus Anjos. Então, olhe para você mesmo/a. Peça a graça de descobrir-se como é agora, agarrado/a a um bem material, seja a posição, fama, prestígio; seja à beleza, saúde ou conforto corporais; seja ainda a algum talento ou propriedade... Peça a graça de saber escolher o que mais agrada a Deus e melhor favoreça à construção do Reino. Entrando mais na oração, medite sobre cada personagem. A primeira, é o jovem rico (Mc 10.17-31), que procura Jesus. Quando Jesus lhe propõe o seguimento, ela foge de dar o seu “Sim!” pronto e generoso. Está apegado a seus bens. Retira-se triste. Jesus comenta com os seus: Como é difícil para os que têm riquezas entrar no Reino de Deus. O segundo tipo de pessoa pode ser representado por aqueles que se dispõem a seguir a Jesus, mas impõem condições para responder ao convite dele (Lc 9,57-62). Apegados, ou a negócios, ou a trabalhos, projetos, família... querem manter-se no meio termo, servindo-se e servindo a Jesus. Assim, vão se enganando com falsas razões, que não deixam ver o cerne dos seus apegos. A sua resposta, “Sim e não”, se concretiza em “Não!” O terceiro tipo de pessoaé representado por Zaqueu (Lc 19,1-10). Como Maria, apóstolos, tantos santos e santas, canonizados ou não, de todos os tempos e lugares, ele toma atitude, ele se dispõe e dispõe dos seus bens para o serviço do Reino, oferecendo-se com todo o coração, sem economizar em generosidade! Peça ao Senhor a graça de poder, agora, olhar para dentro de si, e reconhecer que estes tipos de pessoas também habitam em você. Como atuam? Quem é o mais forte? Que concessões você se permite e que condições você impõe para servir a Deus e responder o seu convite, os seus apelos e inspirações? Que motivações orientam suas preferências, escolhas e atos? Colóquio: no final deste tempo de oração, ouça o que Jesus lhe diz: Não se pode servir a Deus e ao dinheiro (Mt 6,24); Quem quer que ponha a mão no arado e olha para trás não é feito para o Reino de Deus (Lc 9,2). Peça a graça de não ser do tipo que não se move, ou do tipo que “fica em cima do muro”, mas que Maria, a primeira servidora de Deus, ajude você a decidir-se a viver a vontade do Pai, como Jesus. Termine com o Pai nosso rezado com carinho e esperança. Não deixe de rever a oração e anotar alguma coisa, prevendo as repetições! Carta de Itaici publicada em setembro de 2002 |