DA REZA À ORAÇÃO

Na linguagem religiosa popular brasileira, "reza" tem significado de preces recitadas, em geral em comum e com formulários próprios, tipo ladainhas, novenas, e o Rosário. Estas preces recitadas têm nutrido e nutrem grande parte dos católicos e, de certo, continuarão a ser agradáveis ao coração de muitos e ao Coração do Senhor. Contudo, todos nós sabemos que o mesmo Rosário é rezado com maior fruto, quando, de fato, os Mistérios da Vida, Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo são contemplados. É bom e conveniente, sem perder o bem adquirido, fazê-lo crescer. É o que ajuda esta pequena e excelente obra do Pe. Guido Jonquière, SJ, "Del rezo a la oración", "Da reza à oração". Pe. Guido trabalha no Centro de Espiritualidade Inaciana de Santiago do Chile. Com larga tradição de subsídios para as comunidades eclesiais de base, meios populares e exercícios para iniciantes em fins de semana, Pe. Guido nos ofereceu este trabalho, que, acredito, lhe será muito útil.

R. Paiva, SJ


DA REZA À ORAÇÃO

5. APRENDENDO A MEDITAR E CONTEMPLAR

Guido Jonquières, SJ
Trad. R. Paiva, SJ

Estes novos tipos de oração são apenas mentais. Mas você vai verificar que não são mais complicados do que você foi vendo até agora. Somente supõem um momento de concentração e, nisso também, você foi se acostumando, como sem se dar conta. Talvez ajude recordar o que Santa Teresa de Jesus dizia de toda oração: É uma conversa freqüente, a sós, com Aquele que sabemos que nos ama.

Meditar não se limita à reflexão, como pensam algumas pessoas. Depois de ler ou lembrar uma passagem da s Escrituras, você reflete e fala a respeito do que você lembrou e está pensando com o Senhor. Pode também ficar um momento em silêncio, acolhendo, saboreando, admirando,adorando.

Contemplar é parecido. Mas você usa menos a reflexão e mais o coração e a imaginação. Normalmente, a contemplação é mais simples e mais repousada. Mas cada um tem o seu temperamento. Você pode experimentar as maneiras e ficar com a que mais lhe convém ... ou com as duas, para variar.

Certamente você tem ouvido falar de outros enfoques sobre contemplação. Há várias maneiras de entrar em contemplação. Aqui apresentamos a de Santo Inácio de Loyola. Outros modos são um puro dom de Deus, com que nem sempre e nem todos podem contar.

Existem orações tradicionais que combinam ma reza com um pouco de oração e contemplação. Podemos começar por aí.

A Oração do Anjo (ou “Ângelus”)

Costumava ser rezada três vezes por dia (e ainda muitos o costumam), geralmente ao toque do sino: de manhã, ao meio-dia e ao entardecer.Mas você pode aproveitá-la também a sós ou com outra pessoa ou com um grupo. Se são duas vozes, podem ser alternadas as frases que se seguem (1 e 2). Se você está a sós, dizes tudo. Nos intervalos, não se trata de refletir sobre cada palavra da “Ave Maria”, mas de deter seu pensamento e seu coração no mistério da encarnação do Filho de Deus, enquanto você diz a prece. Assim, se torna uma pequena meditação. Se você acompanhar imaginando a cena, intuindo os sentimentos de Maria, a atitude do Anjo, a ternura de Deus, etc., você estará fazendo uma pequena contemplação:

1 O Anjo do Senhor anunciou a Maria,
2 E ela concebeu do Espírito Santo.
Ave Maria...

1 Eis aqui a serva do Senhor,
2 Faça-se em mim segundo sua palavra.

Ave Maria...

1 E o Verbo de Deus se fez carne,
2 E habitou entre nós.

Ave Maria...

1 Rogai por nós, Santa Mãe de Deus,
2 Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

(Oração final, recitada:)

Infunde em nós, Senhor, a tua graça,
para que nós, que conhecemos a Encarnação do teu Filho, Jesus Cristo,
pela Anunciação do Anjo,
cheguemos, por sua Paixão e Morte de Cruz
à glória da Ressurreição.
Isto nós te pedimos pelo mesmo Senhor Jesus Cristo, que contigo vive e reina por todo o sempre, amém!