DA REZA À ORAÇÃO

Na linguagem religiosa popular brasileira, "reza" tem significado de preces recitadas, em geral em comum e com formulários próprios, tipo ladainhas, novenas, e o Rosário. Estas preces recitadas têm nutrido e nutrem grande parte dos católicos e, de certo, continuarão a ser agradáveis ao coração de muitos e ao Coração do Senhor. Contudo, todos nós sabemos que o mesmo Rosário é rezado com maior fruto, quando, de fato, os Mistérios da Vida, Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo são contemplados. É bom e conveniente, sem perder o bem adquirido, fazê-lo crescer. É o que ajuda esta pequena e excelente obra do Pe. Guido Jonquière, SJ, "Del rezo a la oración", "Da reza à oração". Pe. Guido trabalha no Centro de Espiritualidade Inaciana de Santiago do Chile. Com larga tradição de subsídios para as comunidades eclesiais de base, meios populares e exercícios para iniciantes em fins de semana, Pe. Guido nos ofereceu este trabalho, que, acredito, lhe será muito útil.

R. Paiva, SJ


DA REZA À ORAÇÃO - 13

Melhorar minha participação nas orações comunitárias - 2

Guido Jonquières, SJ
Trad. R. Paiva, SJ

Duas dificuldades podem surgir:

1. Não posso manter a mesma atenção a tudo!

Certamente! É praticamente impossível manter a mesma atenção continuadamente. Mas dá a atenção que você for capaz, sem esforço excessivo, o que seria contraproducente. Se você se dispõe bem no começo, vai perceber que ficará mais atento,a tenta, mais participante em alguns momentos. Ótimo! Outras vezes, outros gestos e palavras tocarão você, Se você avançar, melhor! Bendito seja Deus, que muito ajuda com sua graça! E, embora você não dê a mesma atenção o tempo todo, ficará a sua boa intenção inicial: fazer o que a Mãe Igreja propõe.

2. Há gente que está aí e não colabora.

Sim, pode ser. A pessoas que se distraem e distraem. Crianças que choram... Até mesmo o Padre pode não estar tão entregue ao que faz como seria bom. Mas não leve isso para o lado trágico! É melhor se ocupar em ser de ajuda para os demais. Como? Fixe sua atenção mais no Senhor - presente e atento em meio a seu Povo, sua Família - do que no que fulano ou sicrano estão fazendo ou deixando de fazer.

Não é para julgar ninguém. Um dia - quem sabe? - você poderá cooperar, sem orgulho, para que toda a comunidade progrida nas suas celebrações. Nada impede, também, que você, sobretudo no início, se puder encontrar, encontre uma paróquia ou outro lugar onde a celebração seja levada de uma maneira que mais ajude você, sobretudo nos começos.

Quando chegar o momento das leituras e da homilia (Liturgia da Palavra), não me toca fazer propriamente oração, mas escutar. Para poder rezar melhor.

Na Liturgia da Palavra há orações que são respostas à Palavra de Deus lida, proclamada e acolhida, a saber: o Salmo responsorial (depois da 1ª Leitura); o Aleluia ou correspondente canto para aclamar o Evangelho; o Creio (nos domingos e dias solenes), as preces da comunidade. Vou procurar fazê-las minhas, como ficou explicado.

Na continuação da Missa, pode parecer que o Sacerdote ocupa todo o espaço. Fala ou reza "sozinho" por parágrafos longos. De fato, ele fala em nome de todos na pessoa de Cristo, emprestando-se a Cristo, que é Cabeça do Povo diante do Pai, intercedendo por nós todos e se dando nas aparências do Pão e do Vinho. E há as respostas, os cantos e as aclamações e o "Amém!", que tudo confirma! Quanto me corresponda, vou fazendo minhas as intervenções propostas.

Em particular, direi ou cantarei o meu "Amém!" como quem assina um contrato, põe sua firma num documento público: assumindo minha co-responsabilidade!

No momento em que o Sacerdote relate o que fez Jesus, dizendo as palavras da Consagração, atualizando o dom e o sacrifício do Salvador (Tomou o pão... Tomou o cálice...), minha melhor oração será acolhimento, admiração, silêncio do coração, adoração.

E a comunhão?

  • Vou me preparar para ela, junto com todos, rezando com eles, sinceramente, o Pai Nosso - a oração que Jesus ensinou e que aprendi a amar - dando e recebendo "o abraço da paz", e humilhando-me: "Senhor eu não sou digno de que entreis em minha casa..."
  • E comungarei! Claro que não se sei que estou demasiado sujo, suja, por dentro. Neste caso devo arrepender-me, ir me confessar e pedir o perdão antes.

Certamente não é anda bom se acostumar a não comungar. Como aceitar o convite para uma refeição e nada comer? Ou de alguém que não aceita nenhum convite de quem é tão bom amigo, quanto Jesus?

Bem feita, a Comunhão supera em valor qualquer oração! Não é uma ação principalmente sua! É o maior dom de Nosso Senhor que possamos receber nesta terra! Ele mesmo! Nada pode unir você a Ele com tanta verdade!

Se, realmente, você não pode comungar porque sabe que há uma coisa muito incorreta na sua vida, mas se sente animado a corrigir e buscar a reconciliação na Igreja, então ajuda fazer uma "comunhão de desejo", também chamada "comunhão espiritual". Um exemplo:

Meu Senhor e meu Deus, Bom Jesus,
Eu queria ir comungar!
Perdoa-me porque não estou em condições ainda. Ajuda-me a chegar lá!
Desejo voltar a comungar. Acolhe o meu desejo!

Depois da comunhão, efetiva ou desejada, vou agradecer com minhas palavras (ajuda muito "receber" Jesus em sua vida, como quem recebe o Padre para benzer a casa, levando-o a visitar e abençoar todos os cantos e recantos de sua vida, da entrada ao quintal, se houver, abrindo todas as portas, mesmo do quarto mais bagunçado!)

Com meu "Amém!" vou acolher a oração final, a bênção e responderei à despedida do Sacerdote, que me encarrega de uma missão: viver dando graças em tudo a Deus e criando comunhão entre todos, todos os dias. Isto é, levar a Eucaristia que celebrei por onde eu for!

Outros exemplos de participação em orações coletivas

O que aprendi sobre a Missa, posso também pôr em prática em outras orações em comum. Ou, em sentido contrário, posso começar nestas outras orações, para, depois, aplicar à Missa. Alguns exemplos destas ocasiões:

  • Uma celebração da catequese dos meus filhos;
  • Grupos ou oficinas de oração, comunidades de base, reuniões do Apostolado de Oração, orações em família, novena do Natal, grupos bíblicos;
  • Uma peregrinação, o Caminho da Cruz, o Rosário em comum, etc.

Vou me preparar como ficou explicado mais acima. Não se trata de me complicar, mas de aprender, pouco a pouco, a fazer melhor as coisas. Vou usando o que me ajuda e deixando, pelo menos por enquanto, o resto. Sempre o que mais importa é que eu me encontre com Nosso Senhor.

Em todo caso é bom que eu recorde:

  • Não pode haver oração em comum se as pessoas presentes não participam rezando e orando.
  • Não devo me afligir por algumas distrações. Dando-me conta, voltarei tranqüilamente ao que juntos estamos fazendo.
  • Ainda mais importante! Jesus disse: Onde dois ou três estiverdes reunidos em meu Nome, aí eu estarei.

Sim, Senhor, vais estar de verdade presente encabeçando nossa oração e apresentando-a ao Pai! Que ótimo!

Uma última coisa: Á medida em que você for participando em orações comuns e ou só na Missa, tome consciência do que se passa, e também dos seus progressos, de seu maior interesse, etc. Então, dê graças a Deus!